Diabetes e álcool - Controvérsias

12:32 henderson barbosa 0 Comentarios


A ingestão de bebidas alcoólicas pode ser relacionada ao diabetes tipo 2 (DM2) por meio dos seus efeitos sob a secreção e sensibilidade da insulina. Além disso, os efeitos da ingestão de álcool têm sido constantemente investigados como possível fator de risco modificável para o desenvolvimento da doença. Estudos epidemiológicos e clínicos sugerem que uso moderado e regular de vinho (1-2 taças medias/dia, contendo de 23-30g/álcool) é associado com redução do risco de diabetes, doença cardiovascular, hipertensão e certos tipos de câncer. Todavia, os resultados são discrepantes dependendo dos tipos de bebidas (vinho, cerveja, destilados) e, também não é claro qual o componente protetor das bebidas, se o conteúdo alcoólico ou os componentes não alcoólicos, os polifenóis.

Dados de uma Coorte Sueco, publicado em 2012, sobre álcool e risco de desenvolver DM2, com 2070 homens e 3058 mulheres, adultos saudáveis e pré-diabéticos, mostraram diferenças significativas no risco de DM2 associado ao gênero; onde alta ingestão alcoólica por ocasião ou padrão de alcoolismo elevou o risco de pré-diabetes e DM2 em homens, enquanto que a baixa ingestão reduziu o risco em mulheres. Na análise de ingestão por tipo de bebida, os homens mostraram risco elevado de pré-diabetes, com altas doses de cerveja e de DM2 com elevado uso de destilados. Nas mulheres, o risco de pré-diabetes foi reduzido com ingestão elevada de vinho e, de DM2 com moderada de vinho e destilados; enquanto o risco de pré-diabetes foi elevado na alta ingestão de destilados. Diante dos resultados, os autores concluíram que ingestão total de álcool foi associada ao risco de pré-diabetes e DM2, quando ocorre alta ingestão específica de destilados ou de cerveja. Nas mulheres, a baixa ingestão reduziu o risco, com possibilidade de interferências de outros fatores não analisados.

Em um estudo publicado no American Journal Clinical Nutrition, em janeiro de 2013, foi investigado o efeito do padrão alcoólico e risco de DM2 em japoneses adultos saudáveis, durante período médio de 10 anos. Os autores observaram que o consumo menor ou igual a seis doses por semana foi associado com baixa incidência de DM2. Ao contrário, a alta ingestão semanal (230–748 g /etanol) e   >1-5 doses por ocasião, foi associada à alta incidência. Dessa forma, os autores concluíram que um padrão de ingestão alcoólica elevado, mesmo de forma irregular aumenta o risco de DM2, quando comparado ao consumo semanal moderado (media de 5-6 doses=99–160g/ etanol).
Os dados destas pesquisas reforçam a importância da associação de álcool e risco de diabetes, com alguns fatores importantes a ser considerados, tais como gênero, etnia, faixa etária, tipo, frequência e a quantidade das bebidas alcoólicas por ocasião.

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