Indefinições sobre o modelo de rádio digital dominaram o debate em audiência pública

10:03 Radio Ideal FM 0 Comentarios


Indefinições sobre o modelo de rádio digital a ser adotado no Brasil dominaram o debate em audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. O tema é alvo de uma subcomissão especial que, desde abril, analisa as tecnologias DRM (Digital Radio Mondiale), da Alemanha, e HD Radio, dos Estados Unidos, como possíveis plataformas para o futuro Sistema Brasileiro de Rádio Digital. Além da melhor qualidade de áudio, a digitalização também vai permitir a transmissão de multiprogramações e ampliar a interatividade das emissoras de rádio.

Quanto ao modelo, a subcomissão já tem uma conclusão preliminar, expressa no relatório do deputado Sandro Alex (PPS-PR). "Hoje ainda não existe um modelo perfeito: nem o americano nem o europeu. Mesmo os países de origem desses sistemas não dão exclusividade para os modelos. Por que o Brasil tem de dar exclusividade, se nem os países de origem o fazem? E por que temos de ter apenas um padrão? Já que o governo dá um entendimento de migração das AMs para as FMs, o modelo americano sai na frente. Porém, o modelo europeu tem cobertura em ondas tropicais, curtas e médias. Eu entendo que, como é uma tecnologia em transformação, quem sabe em um futuro próximo, tenhamos até um modelo nacional que possa ser colocado em apreciação".

Já a deputada Luíza Erundina (PSB-SP) classifica esse relatório de "insuficiente e apressado" diante de novos testes que ainda serão feitos pelo governo brasileiro. A deputada afirma que o texto "não aborda questões relevantes que a Câmara não pode deixar de considerar: a política industrial, os royalties pagos para acesso aos códigos, a integração com a TV digital e a adaptação à situação das rádios comunitárias e de baixa potência (ondas curtas e tropicais)".

O deputado Sandro Alex acrescentou que seu relatório, apresentado em setembro, é preliminar. O texto final será entregue ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Cobertura digital
O diretor do Departamento de Acompanhamento e Avaliação dos Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Otávio Penna Pieranti, conta os resultados dos primeiros testes e fala dos parâmetros que serão observados em novas avaliações que serão aplicadas em emissoras AM, FM e de ondas curtas. "O Ministério das Comunicações realizou duas baterias de teste entre 2010 e 2012 e verificou que, na maior parte dos casos, a cobertura do sinal digital era inferior à cobertura do sistema analógico, nas condições de teste colocadas no Brasil. O que o Ministério das Comunicações quer fazer agora é possibilitar uma nova configuração para o teste do rádio digital para verificar o seu real potencial. É fundamental que o sistema digital, seja ele qual for, tenha uma cobertura pelo menos equivalente à do sinal analógico".

A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) também quer mais testes, como afirma o engenheiro de comunicações da entidade, André Trindade. "Até o momento, os testes que foram feitos não mostraram algo que justifique a digitalização no AM nem no FM. Os problemas de interferência no AM continuaram, a poluição espectral continuou agredindo o sinal das emissoras AM de modo que a qualidade fosse muito aquém do que os radiodifusores gostariam. E, com relação à FM, a área de cobertura também foi inadequada, muito menor do que a área de cobertura do analógico. Então, diante desse cenário, o radiodifusor não tem como apoiar a digitalização".

A Abratel teme que, com menor cobertura, as emissoras percam ouvintes e receita. A entidade também cobra do governo uma política de massificação de receptores de rádio digital, a fim de popularizar as vantagens da tecnologia digital entre os ouvintes.

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