A arte que une Barroso e o padre de minha igreja

16:09 Radio Ideal FM 0 Comentarios


Uma liminar da Justiça obriga o governo de São Paulo a implantar a inspeção de veículos em 124 municípios do estado no prazo de um ano e meio. A decisão, da 14ª Vara da Fazenda Pública da capital, também se estende a toda a frota movida a diesel.  A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público paulista, que moveu Ação Civil Pública em fevereiro contra o governo estadual pelo desrespeito ao Plano de Controle de Poluição Veicular, de março de 2012.
O documento indica as áreas mais poluídas, onde a revisão periódica de veículos deveria ser instituída com urgência. A cidade de São Paulo é um dos focos do programa, além de municípios da Região Metropolitana e da região do ABCD. Ao conceder a liminar, o juiz Thiago Massao Cortizo Teraoka reconheceu a necessidade de seguir as normas que preveem a diminuição de gases e ruídos.
O artigo 104 do Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997) determina que os veículos deverão ter seus itens de segurança inspecionados periodicamente de acordo com as resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e de gases e ruídos de acordo com as regras do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
Em 2010, o Conama instituiu um programa de controle da poluição do ar por veículos automotres e deu prazo até abril de 2012 para que estados e municípios implantassem os sistemas de inspeção previstos em seus planos.
Para o juiz, não existe contradição entre o Código de Trânsito e o artigo 12 da Lei 10.203/2001 — que dispõe sobre a redução de emissão de poluentes. Esta norma, segundo Teraoka, que parece indicar que a fiscalização dos estados e municípios é somente autorizada e não obrigatória. "No entanto, entendo que a chave para a compreensão correta (...) é a palavra "adicionais". Assim, se os Estados e Municípios podem estabelecer controle "adicional" é que algum controle a própria Lei 10.203/2001 já indicava existir", pondera.
Ainda de acordo com o juiz, “o perigo na demora é evidente, considerando que o meio ambiente saudável é requisito para a sobrevivência dos seres humanos, sendo que os mais idosos e crianças têm ainda mais dificuldades, com doenças respiratórias advindas da poluição”.
A Promotoria de Justiça de Meio Ambiente da capital também pediu o desenvolvimento de um estudo multidisciplinar para subsidiar as ações de implantação do plano de controle. Com informações da Assessoria de Imprensa do MP-SP.
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Prisão de advogada é convertida em prisão domiciliar

Atendendo a um Habeas Corpus da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul, a advogada Daniela Dall Bello Tinoco Rondão teve sua prisão convertida em prisão domiciliar no último domingo (26/5). Daniela foi presa na última sexta-feira (24/5) sob a suspeita de ajudar o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que age dentro e fora de presídios.
De acordo com o Ministério Público estadual, Daniela cuidava do braço jurídico do grupo e transmitia recados das lideranças. De acordo com o MP, escutas telefônicas revelaram que ela recebia ordens para alterar cenas de crimes. As investigações também revelaram que Daniela administrava as contas bancárias da quadrilha, que, em 2013, movimentaram cerca de R$ 3 milhões.
Daniela foi presa na operação blackout, feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Polícia Militar e a Agência Penitenciária Estadual, com o objetivo de desmobilizar o grupo criminoso. Ao todo foram presas 43 pessoas.
No domingo (26/5), atendendo a um pedido de Habeas Corpus da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, Daniela teve a prisão convertida em prisão domiciliar. Segundo o presidente da Comissão de Defesa da Prerrogativa dos Advogados da OAB-MS, Marco Antônio Castello, o pedido foi feito pois nenhuma das prerrogativas de Daniela foi atendida.
“Por ser advogada ela não poderia ter sido alvo de escuta sem autorização judicial. Além disso a OAB deveria ter sido informada da prisão dela, mas só ficamos sabendo por terceiros. E por não existir Sala de Estado Maior, Daniela não poderia ter sido presa em uma cela com outras pessoas. Todas as prerrogativas não foram observadas e por isso entramos com o pedido de Habeas Corpus”, explicou.
Em nota, a OAB-MS esclareceu que o direito à prisão domiciliar em falta de Sala de Estado Maior está previsto no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil — conforme dispõe o artigo 7º, inciso V. A OAB-MS afirmou que irá instaurar processo para apurar os fatos e, caso confirmado o envolvimento e a violação do código de ética profissional, a advogada poderá ser punida. 
Pedido negadoA OAB já havia feito um pedido anterior para a conversão da prisão da advogada em domiciliar, porém foi negado pelo juiz Alexandre Antunes da Silva, da 2ª Vara de Execuções Penais de Campo Grande.
Em sua decisão, o juiz reconhece que não existe uma Sala de Estado Maior na cidade, porém, segundo seu entendimento, o texto exige um " local com instalações e comodidades condignas, compatíveis com a chamada Sala de Estado Maior. Portanto, extrai-se pelo próprio dispositivo legal que, somente diante da falta de local com instalações e comodidades condignas, é que se admite o recolhimento de Advogado em prisão domiciliar".
Ainda de acordo com a decisão do juiz Alexandre da Silva, o objetivo da norma é proporcionar ao advogado "local limpo e arejado, com instalações e condições mínimas de salubridade e higiene, bem como separado dos demais presos provisórios, e não a sua colocação incondicional em prisão domiciliar, diante da inexistência de local com a exclusiva denominação 'Sala de Estado Maior'”.
"Dessa forma, sendo assente o posicionamento de que, estando o(a) advogado(a), preso preventivamente, em local que satisfaça a condição prevista no art. 7º, inciso V, do Estatuto da OAB, não há que se falar em prisão domiciliar".
O juiz ainda solicitou um parecer do Ministério Público de Mato Grosso do Sul que também foi contrário à prisão domiciliar. De acordo como MP, o Estatuto da OAB "visa garantir é que o advogado permaneça em local separado dos detentos comuns, o que não significa necessariamente a necessidade de que se trate de Sala de Estado Maior, bastando que se encontre em cela especial, em qualquer outro estabelecimento que satisfaça esta condição".
Após a negativa, o presidente Comissão de Defesa da Prerrogativa dos Advogados da OAB-MS, Marco Antônio Castello, ingressou com o pedido de Habeas Corpus. Nele, classificou como absurda a proposição do juiz, que afirmou que o presídio feminino de Campo Grande é acomodação compatível com a dignidade da advocacia.
De acordo com Castello, a "finalidade da proteção à prisão especial em Sala do Estado Maior (e não cela especial, como entendem alguns desavisados) é a de proteger a própria sociedade de irregularidades ou prisões indevidas daquele que é detentor das defesas constitucionais do cidadão, o advogado". Ao julgar o pedido da OAB-MS, o desembargador Manuel Mendes Carli acolheu a tese apresentada e converteu a prisão em domiciliar.
Clique aqui para ler a decisão do juiz Alexandre da Silva.Clique aqui para ler o parecer do MP-MS.Clique aqui para ler o pedido de Habeas Corpus.Clique aqui para ler o pedido de providências.
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Em decisão inédita, Ministério das Comunicações revoga funcionamento de Rádio Comunitária que operava irregularmente

(17/05) Rádio Ponte FM de Indaial é reincidente em várias infrações da legislação que regulamenta o funcionamento das rádios comunitárias no país. Decisão dá força à campanha da ACAERT contra as emissoras ilegais em Santa Catarina

Numa decisão inédita, o Ministério das Comunicações – Minicom revogou a autorização de funcionamento da Rádio Comunitária Ponte FM, no município de Indaial. A emissora é alvo de uma série de denúncias sobre reincidência de infrações na legislação que regulamenta a atividade das rádios comunitárias no país. Pela lei, uma rádio comunitária não pode, por exemplo, veicular comerciais na programação e sua atuação deve ficar restrita a um quilômetro a partir da antena transmissora. As duas infrações estão incluídas na lista de acusação contra a Ponte FM.   

A revogação do funcionamento da emissora é decorrente de uma ação judicial impetrada pela Rádio Clube de Indaial contra a União Federal pelo descumprimento da obrigação legal quanto à revogação de outorga em reincidências de infrações, como é o caso da Rádio Ponte FM, mantida pela Associação Comunitária de Difusão Cultural de Indaial. A Rádio Clube entende que o Minicom não cumpria a obrigação de cassar a outorga da emissora, que era reincidente em várias infrações, como prevê a legislação.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT comemorou a decisão inédita do Ministério das Comunicações. “Quando uma entidade recebe uma outorga de um rádio comunitária, ela assina uma declaração para o governo de que tem recursos para manter a emissora. Então quando a rádio é reincidente de violação da norma legal, o governo tem que efetivamente fazer o que fez: aplica a lei”, defendeu o diretor geral da ABERT, Luis Roberto Antonik.

A presidente do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de Santa Catarina – SERT/SC, Marise Westphal Hartke, compartilha da opinião da ABERT. Ela ressalta que uma rádio comunitária irregular acaba se tornando uma concorrente desleal.

A Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão – ACAERT promove uma campanha estadual contra a atuação irregular das rádios comunitárias. A entidade já impetrou 60 ações na justiça com emissoras ilegais. Ao todo, a ACAERT já conquistou 33 liminares, com multas diárias para as comunitárias infratoras. O problema é que as decisões judiciais não estão sendo cumpridas pelas emissoras. Fato que está sendo denunciado pela entidade à justiça. O presidente da ACAERT, Pedro Peiter, considera a decisão do ministério das comunicações um importante precedente e um marco no combate à ilegalidade na radiodifusão.

Fonte: Assessoria de Comunicação ACAERT
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Fim do e-mail? Ferramentas de distribuição de releases crescem no Brasil

     
Embora o uso dos divulgadores de notícias seja tímido no país, a expectativa, segundo os executivos, é que haja transformação no modelo de maneira que assessores, jornalistas e empresas de comunicação ganhem em organização, tempo e resultado
Num mundo em que a notícia é cada vez mais perecível e a comunicação cada vez mais rápida, otimizar tempo e facilitar o contato entre assessoria e redação são as palavras de ordem do futuro. É isso que mostra a pesquisa “Fala, Jornalista!”, feita pelo Comunique-se em parceria com a Deloitte no ano passado. Quando o assunto é comunicação entre esses profissionais, o estudo revela que mudanças na divulgação de releases precisam acontecer. “Os resultados confirmam percepções históricas sobre o tema: jornalistas consideram o envio de informações e releases importante, porém, muito mal praticado pelas assessorias”. Segundo o levantamento, ocorre que, muitas vezes, o material é direcionado a um mailing inadequado, fazendo com que muitos recebam sugestões que não são relacionadas aos temas de sua editoria.
A boa notícia é que esse problema ganhou soluções. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi lançado o PRWeb, que recebe conteúdo e distribui para diversos sites de notícias e buscadores, como Google, Yahoo e Bing. As informações são entregues a assinantes e fica exposta no PRWeb, que, de acordo com o site, recebe 3 milhões de visitantes por mês. “É definitivamente o serviço de distribuição online mais rentável e que permite otimizar a distribuição de notícia”, diz a empresa HR Marketer, que usa o serviço. Além dele, foi criado o PRNewswire. O site considera que a visibilidade é o primeiro passo para o sucesso e, assim, oferece soluções como “entregar notícias diretamente para jornalistas credenciados e formadores de opinião” de maneira segura e segmentada. Outro ponto trabalhado pela empresa é o engajamento e foco nas mídias digitais.
release2705Relação e contato entre assessores e jornalistas ganham novas soluções (Imagem: Divulgação)Inspiradas pela ideia, no Brasil, alguns distribuidores de releases já foram lançados. “Percebi que não fazia sentido milhares de assessorias mandarem milhares de e-mails para jornalistas todos os dias e que havia uma ineficiência e que poderíamos melhorar isso”, explica o executivo do Divulgador de Notícias (DINO), Sirius Roberto. A ideia, de acordo com ele, é que as assessorias, em vez de mandarem todos os releases para todos os jornalistas, direcionem para a ferramenta. Assim, jornalistas vão direto no site, assinam os assuntos de interesse e passam a receber apenas um e-mail por dia, somente com os assuntos de interesse e devidamente resumido. Com a solução, é possível criar releases multimídia e distribuir para veículos parceiros, iniciativa pioneira no país. “Outro diferencial é a indexação automática nos mecanismos de busca, como o Google. Além disso, é o único a redistribuir o release para uma verdadeira rede de veículos parceiros, garantindo visibilidade instantânea”, conta.
Também executivo do Dino, Jorge Eduardo cita que atualmente não há preocupação com o destino da notícia, algo que a ferramenta resolve. “Nossos concorrentes no Brasil não se preocupam para onde a notícia vai, muitas vezes ela está em sites que não tem nada haver com a notícia, ou mesmo são encaminhadas para jornalistas que não querem receber tal informação. Nós nos preocupamos com isso, tanto nossos parceiros e jornalistas podem escolher atualmente entre 163 editorias que querem receber informação”, diz. Atualmente, o Divulgador de Notícias representa o maior projeto deste segmento no país. Lá, todo o conteúdo publicado é automaticamente replicado em mais de 30 sites parceiros e agências, o que permite o jornalista receber por e-mail ou encontrar de maneira rápida as informações em outros portais.
Outro produto que também pode auxiliar o trabalho é o BrandPress, vinculado à Ralco Assessoria, que defini-se como “intermediador entre jornalistas e empresas”. Similar, o site permite que profissionais de imprensa escolham conteúdo e hora que deseja recebê-lo. “Em vez de receber vários e-mails, receba apenas um com todos os releases reunidos”, diz o site, que também ressalta fazer curadoria de notícias “mais relevantes”, colocando-as em primeiro lugar. A vinculação à uma assessoria pode fazer, entretanto, com que outras agências tenham receio em usar o produto.
Criado pelo Grupo Inteligência Múltipla de Comunicação, o I’m Press também chegou ao mercado com proposta parecida. O site se define como “o menor caminho entre a pauta e a notícia”. A ferramenta permite criar e-mails personalizados, que são enviados para uma lista com 54 mil contatos únicos. Na plataforma, jornalistas podem se cadastrar para receber apenas as editoriais de interesse. Para o assessor, é possível acessar relatório com as estatísticas com a leitura dos releases. Diferentemente do DINO, o I'm Press não possui uma rede de parceiros para impulsionar a divulgação e reprodução do material na mídia.
Com trabalho de divulgação feito essencialmente por e-mail, a assessora do Grupo O Povo, Joelma Leal conta que o serviço otimiza a distribuição de informações. “O release é produzido e direcionado de acordo com o conteúdo aos jornalistas e editoriais que tenham relação com o tema. Procuro ter o cuidado de não enviar ‘tudo pra todo mundo’, a fim de evitar que os e-mails sejam encarados como spam”, explica. A profissional diz que os resultados são positivos e garante que cuida pessoalmente da lista de destinatários de acordo com o conteúdo a ser enviado. Entretanto, o uso de divulgadores de releases está em pauta. “Ainda não usamos o serviço. Talvez fosse interessante, desde que o jornalista que receba o material não seja visto apenas como ‘mais um’”, comenta.
Na 2Pró Comunicação, o trabalho com a ferramenta que distribui os releases já começou. Assessor contratado pela empresa, Felippe Ferro relata que os profissionais da agência costumam usar o DINO. “É um espaço onde ampliamos a visibilidade do conteúdo. Outra questão é que o público em geral e comunicadores que não estão na nossa base podem consumir e ler aquele texto, mesmo que não seja um jornalista interessado em replicar a pauta”, explica. O profissional acredita que o produto online facilita e agrega como complemento interessante para o trabalho de divulgação de releases.
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Caixa admite ter dado informações erradas para a imprensa sobre Bolsa Família

     
O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, admitiu que o banco deu informações erradas à imprensa no caso dos boatos sobre o encerramento do Bolsa Família. Nessa segunda-feira, 27, ele explicou, durante coletiva, que o banco liberou o pagamento de maio para todos os beneficiários na sexta-feira, 17, véspera do tumulto causado pelo rumor sobre o fim do programa. Houve confusão em agências de 13 estados do país.
josé urbanoJosé Urbano admitiu que deu informações imprecisas e se desculpou
(Imagem: Reprodução/Globo)
De acordo com o ‘Jornal da Globo’, a  nova explicação contradiz a primeira versão. Na semana passada, o vice-presidente de habitação da Caixa, José Urbano, disse em entrevista ao ‘Bom Dia Brasil’, que o benefício foi antecipado e liberado após o tumulto nas agências. Nessa segunda-feira, ele voltou atrás. “Eu não tinha essa informação. Era imprecisa. Eu peço desculpas a todos pelo engano nessa manifestação da gente”, disse.
Mesmo depois da coletiva, a Caixa divulgou nota oficial negando relação entre o boato do fim do Bolsa Família e a antecipação dos pagamentos dos beneficiários.  O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também convocou uma coletiva para falar sobre as investigações da Polícia Federal, que apura se o rumor foi divulgado com a ajuda de uma central de telemarketing. 
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Coordenadora de rádio da EBC é assassinada

     
Nessa segunda-feira, 27, a Rádio Nacional do Alto Solimões não teve programação e, assim, retransmitiu o conteúdo da Rádio Nacional da Amazônia, ambas mantidas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A mudança aconteceu após a morte da radialista Lana Micol, assassinada na noite do último domingo.
lanamicol2805Assassinato de Lana está sendo investigado
(Imagem: Reprodução/Arquivo pessoal)
Lana, que era coordenadora da Rádio Nacional do Alto Solimões, foi morta com vários tiros. De acordo com as informações, a profissional brincava com o filho de sete anos no quintal de casa quando dois homens em uma moto pararam e fizeram os disparos.
A coordenadora foi levada para o Hospital de Guarnição do Exército, mas chegou sem vida. A Polícia Civil cuida das investigações do caso. Segundo matéria do jornal A Crítica, a polícia trabalha inicialmente com a hipótese de execução encomendada por motivo passional. O ex-marido de Lana, que já tinha a ameaçado, é o principal suspeito. Testemunhas contam que ele não aceitava a separação e o romance dela com outro homem, que é militar do Exército.
Na manhã dessa segunda-feira, o corpo da radialista foi velado. O enterro aconteceu em Manaus. Ela deixou dois filhos. 
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A arte que une Barroso e o padre de minha igreja

Certa vez, muito tempo atrás, vi no Supremo Tribunal Federal uma sustentação de Luís Roberto Barroso. Há advogados ganhando a vida escrevendo. Outros se dão melhor na oratória. Pequeno grupo trabalha muito bem nos dois aspectos, exibindo ou não, segundo as contingências, capacidade de aproximação maior com seres humanos, circunstância não fundamental mas de grande ajutório.
Não sou de cheganças a advogados distantes. Vi e ouvi a manifestação oral do colega Barroso e pensei com os meus botões: enxerguei pouco profissional, nestes meus cinquenta e três anos de advocacia criminal, com tal polimorfa cultura, precisão expositiva e frieza na argumentação. Evidentemente, após mais de meio século de experiência nas lides dos tribunais, tenho na memória cada um e todos que me antecederam nas sustentações orais ou vieram depois, naquelas decantadas e cansativas sessões de julgamento.
Dentro de tal vocação, Luís Roberto Barroso foi exemplo expoente. Corria em Brasília, há muito, nos gabinetes dos tribunais, a suspeita de que mais cedo ou mais tarde Barroso chegaria ao Supremo. Não se sabia bem se ele queria ou não aquilo, mas até hoje eu só vi um advogado, Manuel Alceu Affonso Ferreira, desconsiderando o chamamento para integrar, como desembargador, um tribunal superior. De uma forma ou de outra, a quase unanimidade quer ou se deixa levar a tanto, uns batalhando assiduamente no chamado “beija-mão”, outros agindo com plena discrição, mas ainda assim não antagonizando eventual convocação.
Sempre tive enorme respeito por bons oradores, fiado inclusive no complicado mecanismo biopsíquico a transformar alguns em preciosíssimas máquinas de comunicação, sabendo-se hoje que o cérebro é intricadíssimo sistema de transmigração de impulsos fisioquímicos, oitenta e cinco milhões de neurônios a se comunicarem através das denominadas sinapses. Barroso é, então, ser humano privilegiado, valendo também, é evidente, da metódica aquisição de conhecimento durante os muitos anos de exercício da advocacia e do magistério superior.
A indicação ao STF veio sem surpresas grandes. Intuíam todos que o sistema apenas esperava a hora e vez. O dia chegou. A psique, embora ainda pouco conhecida, nunca me assustou em demasia. Funciona em multifária e livre associação de ideias, em combinação e comparação praticamente automáticas.
Assim, surgindo influxo externo gerado por fato humano ou mesmo naturalístico, a primeira consequência é, no imenso armazém escalonado na memória, a comparação com circunstâncias iguais ou semelhantes, ou mesmo dissonantes. Funciona assim. Daí, ao ver a fotografia do diferenciadíssimo Luís Roberto Barroso, veio-me do inconsciente imediata iniciativa no sentido de anteposição a outros profissionais da mesma área de conhecimento, ou, quiçá, de setor diferente, fosse na linguagem verbal, fosse na palavra escrita.
A primeira criatura a aparecer foi Evandro Lins e Silva, muito longe, aliás, quando pude vê-lo enquanto ele advogava nos grandes processos de júri decantados por Carlos Araújo Lima. Apareceu também a figura de Waldir Troncoso Peres, este paulista, magro e não muito elegante nem bonito mas, sem dúvida, grande orador forense. Deixe-se de lado o chamamento de outros fantasmas, porque seriam muitos. Almas idas não podem ser olvidadas. Entretanto, na dialética gerada pela assimilação instintiva, tal convicção não conseguiu eliminar totalmente o desfile de personagens competindo contra Luís Roberto Barroso, sempre no tema correspondente à arte de transmissão verbal do pensamento.
Apareceu-me subitamente criatura chamada José Ulisses, um moço com seus quarenta e quatro anos, quem sabe, professor em colégio religioso e padre por profissão. Ele reza a missa de domingo, na Igreja Nossa Senhora do Sion, em São Paulo, anexa ao colégio que leva o mesmo nome, escola geratriz de Ângela Ro Ro e Maysa Monjardim, ex-Matarazzo. Um traço comum a ambas: cantam com igual beleza, cada qual no seu estilo, a música rainha da dor de cotovelo Ne me quitte pas. A canção, para mim, rivaliza com Ronda, de Paulo Vanzolini, meu herói supremo, cantando hodiernamente nas nuvens de São Paulo, perto da avenida São João.
Voltando ao padre Ulisses, seus sermões têm exatamente quinze minutos, nenhum segundo a mais ou a menos. É econômico até para falar das coisas de Deus, mas nesse terceiro terço de vida, em que o ser humano fica mais e mais medroso, a aproximação com o Criador é uma garantia que as pessoas inteligentes não devem desprezar. Assim, vou à missa do padre Ulisses. Faz meses aposto comigo mesmo, na homilia, que aquele sacerdote privilegiado vai engasgar, tartamudear, gaguejar ou mesmo ter dificuldade na união entre as premissas e as conclusões postas nas parábolas bíblicas.
Aposto comigo mesmo: ele vai errar. Pelo amor de Deus, cometa um erro sequer, para dar a este penitente a sensação de que todos são mais ou menos iguais. Entretanto, aquele sacerdote humilde é, seguramente, uma das mais precisas, racionais e eficientes máquinas de pensar já postas aos olhos dos semelhantes. Além de tudo, José Ulisses, o pároco referido, fala em nome do Maioral. Para quem não sabe, o Maioral é o Maior, aquele onipresente, onipotente e onisciente, aquele que sabe tudo, tudo enxerga e, no fim das contas, direciona o todo para onde quiser. Já se vê, no contexto, a vantagem que o sacerdote José Ulisses tem sobre Luís Roberto Barroso.
Ambos, com as ressalvas da finitude da capacidade humana, são perfeitos, mas José Ulisses, com certeza, reza antes de falar. Valha isso para José Roberto Barroso: vai precisar, mesmo sendo agnóstico, tecer muita oração para ajudar o Supremo Tribunal Federal a fazer, no processo do mensalão e em julgamentos humildes, a melhor justiça possível nesse malferido Brasil hodierno. Oremos.
Paulo Sérgio Leite Fernandes é advogado criminalista em São Paulo.

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