Boletim Rádio Ideal

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Os arquivos e prontuários do extinto Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo, (Deops), órgão de repressão do país no período da ditadura, poderão ser acessados na internet a partir da próxima segunda-feira (1/3). Ao todo, cerca de 1 milhão de páginas de documentação foram digitalizadas.
O trabalho é resultado da parceria entre a Associação dos Amigos do Arquivo Público de São Paulo e o projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
De acordo com o Ministério da Justiça, as informações, além de serem um importante registro histórico, poderão facilitar o trabalho de reparação feito pela Comissão de Anistia, uma vez que poderão ser usadas como ferramenta para que perseguidos políticos consigam comprovar parte das agressões sofridas.
A digitalização dos documentos foi feita em dois anos e deve continuar até 2014. Para a realização do trabalho, a Comissão de Anistia transferiu mais de R$ 400 mil à Associação de Amigos do Arquivo. Em dezembro de 2012, o Ministério da Justiça autorizou novo repasse, de mais R$ 370 mil, para digitalização de outros acervos.
A cerimônia de lançamento do portal na internet está marcada para a próxima segunda-feira, às 10h30, no Arquivo Nacional de São Paulo. Com informações da Agência Brasil.
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Brasil - PCB - [Bolbery Lessa] Surpreendentemente, a teoria marxiana sobre o fetichismo das relações capitalistas não vem sendo utilizada pela maior parte da esquerda no entendimento de dimensões decisivas da adesão das massas trabalhadoras brasileiras aos presidentes da República eleitos a partir da estabilidade monetária posta pelo Plano Real (1994).

Nas análises mais conhecidas, os ganhos reais do salário médio e a recomposição do poder de compra do salário mínimo, conjuminados com o aumento das taxas de acumulação capitalista, fenômenos presentes entre o primeiro governo FHC e o atual governo Dilma Rousseff, são relacionados com os valores e as ideias políticas da classe trabalhadora sem a mediação da teoria sobre a aparência necessária das trocas mercantis e o seu poder de convencer o proletariado de que o capitalismo seria justo, igualitário e inevitável. Essa atitude deixa fora do campo de batalha teórico uma das armas mais sofisticadas usadas por Karl Marx na defesa dos assalariados e dos camponeses.

A teoria sobre o fetichismo exposta em O Capital possibilita perceber que não são as instituições com funções ideológicas (como o Estado, a mídia e a escola) as responsáveis principais pelo fato de o proletariado aderir, na maior parte do tempo, à Ordem capitalista. Os simples atos comprar e vender instalam a alienação na consciência operária antes de o trabalhador compreender-se e atuar como membro de uma comunidade política ou fiel de uma igreja. A consciência do trabalhador é capturada pela aparência da circulação das mercadorias. Ele imagina participar de uma troca de valores iguais com o capitalista: trabalha oito horas por dia e acredita receber o equivalente monetário a esse tempo de trabalho (o agricultor familiar experimenta uma ilusão análoga, contudo ainda mais profunda, pois vende seu trabalho já coagulado em um produto). Pensa-se, assim, como igual ao seu patrão, como um livre vendedor e comprador, supõe um mundo justo e igualitário e remete essas justiça e igualdade aparentes para o campo jurídico-político, constituindo a base subjetiva para a legitimação do Estado formalmente democrático.

O processo inflacionário é um dos elementos capazes de dissolver a aparência de troca de equivalentes entre o trabalhador e o capitalista e, em consequência, de desestruturar progressivamente a adesão da consciência proletária ao modo de produção regido pelo capital e ao Estado hegemonizado pela burguesia. No contexto de uma inflação alta, o operário, por exemplo, passa a ter o entendimento de que a troca de equivalentes foi subvertida pelo intercâmbio de não equivalentes, pois o poder de compra do seu salario passa a diminuir ao longo do mês. Inocula-se espontaneamente em sua consciência, mesmo que esta permaneça regida pelo senso comum, a sensação de que o sistema econômico deixou de ser justo, igualitário e inevitável. A greve e outras manifestações com o objetivo de aumentar o seu poder de barganha nas negociações salariais passam a ser um imperativo de sobrevivência. Nessas circunstâncias, o assalariado começa a negar sua adesão ao governo de plantão, pois este não mais é percebido como operador de uma comunidade política de iguais, mas como um déspota aliado aos patrões. Em decorrência, os sindicatos florescem e as correntes revolucionárias tendem a ganhar hegemonia no seu interior.

A aparência fetichista necessária das relações capitalistas começa a fragmentar-se por motivos objetivos (o desemprego causa um efeito análogo à inflação, pois revela que a mercadoria do assalariado, sua força de trabalho, está sendo desvalorizada ao ponto de não ser levada em conta), pelas contradições do metabolismo da economia mercantil, independentes de um plano coletivo e da atuação das instituições com funções ideológicas. O abandono, por parte do trabalhador, do entendimento de que existiria uma troca de equivalentes sob o capitalismo é a antessala da percepção, capaz de ser alcançada pela consciência proletária mesmo sem que supere a estrutura do senso comum, de que as mercadorias não se autovalorizam (a desestabilização dos preços gera espontaneamente a ideia de que o valor econômico é um construto social, uma "artificialidade" diante do trabalho concreto e do valor de uso correspondente) e de que, portanto, é a classe trabalhadora a produtora do valor, do valor de troca e do valor de uso e, em decorrência, da própria história.

Segundo o DIEESE, o Índice do Custo de Vida (ICV) no Brasil aumentou 2.576, 33 % em 1993. Em 1998, o mesmo índice registrou uma elevação de apenas 0,49%. Em 2002, ano da primeira vitória de Luís Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais, o índice foi para 12,13%, e recuou para 2,56% em 2006. Em 2012, o ICV registrou um aumento de 6,40%. Em muitas categorias do setor privado ocorreram pequenos ganhos (entre 2% a 4%) acima da inflação. Evidentemente, isso não significa que a cumulação de capital deixou de ampliar-se, pois os capitalistas continuaram a absorver quase todos os ganhos de produtividade e a recomposição do salário médio não foi suficiente para superar o patamar histórico que o deixa abaixo das reais necessidades de reprodução dos trabalhadores. O consórcio entre mais-valia absoluta e mais-valia relativa continua vigente e estrutural.

A partir desses dados e das referências conceituais anteriores, é plausível sustentar que a estabilização monetária inaugurada pelo Plano Real tem sido o elemento mais importante a determinar o presente apassivamento das massas trabalhadoras brasileiras.

Não houve o surgimento de uma nova "classe média" no país, mas a ampliação do mercado interno por meio da estabilização dos rendimentos de todos os setores da classe trabalhadora. O arriscado (para o sistema) caminho de aumentar a exploração dos assalariados por meio da inflação (mais um subproduto da particular irracionalidade do capitalismo colonial brasileiro do que uma estratégia consciente) foi substituído pela ampliação da mais-valia relativa e das escalas produtivas, câmbio estratégico somente possível devido às especificidades da divisão mundial do trabalho nas últimas décadas, período no qual os países periféricos vêm recebendo montanhas de capital.

Essas mudanças econômicas melhoraram muito as condições de legitimação do sistema capitalista e dos governos. A explicação do fenômeno não se encontra essencialmente no fato de que os assalariados passaram a ter mais poder de compra (o estável valor real do salário foi "multiplicado" pelo sistema de crédito ao consumidor) e, em decorrência, creditaram essa melhoria aos governos de plantão. A essência da explicação encontra-se no fato de que a estabilidade dos preços reforçou a aparência fetichista das relações capitalistas de produção e, em consequência, aumentou radicalmente a adesão dos trabalhadores aos valores morais e políticos do capitalismo e do Estado liberal.

O Programa Bolsa Família, o presumido grande poder de comunicação do Lula ou a propaganda da mídia não teriam capacidade de reforçar tanto a adesão dos trabalhadores à Ordem sem a referida configuração particular da economia, nucleada pela estabilidade da moeda. Os programas sociais de transferência de renda não chegam à vanguarda dos trabalhadores, mas este segmento encontra-se tão apassivado quanto a população localizada abaixo da linha da pobreza. A capacidade de comunicação e o carisma de Dilma Rousseff são pífios, no entanto, seus índices de aprovação são tão altos quanto os atingidos por Lula. Existem apenas dois fatos superestruturais importantes na configuração do presente apassivamento das massas: a adesão do PT a um programa neoliberal e o apoio do outrora chamado "novo sindicalismo", simbolizado pela CUT, e de muitos movimentos sociais aos governos petistas. Esses deslocamentos para a direita impuseram a necessidade de uma custosa reorganização do sindicalismo revolucionário e um demorado trabalho pela ampliação da influência dos partidos de esquerda que permaneceram fiéis à causa dos trabalhadores. Evidentemente, a ausência de organizações sindicais e políticas revolucionárias com enraizamento profundo e capilaridade nacional contribui para o apassivamento do proletariado, já que os trabalhadores permanecem sem acesso a discursos alternativos em relação à fala da Ordem e ficam privados de uma prática sindical e política anticapitalista.
A superação do apassivamento pressupõe uma crise econômica, mas também a realização de um esforço minucioso, cotidiano e silencioso de reconstrução do movimento sindical, bem como a consolidação dos partidos revolucionários e a ampliação de sua influência. É preciso um forte empenho na organização dos trabalhadores pela base, na elaboração de programas, na transformação das injustiças em palavras de ordem, na defesa das políticas públicas e, além disso, é necessário o exercício da paciência enquanto a toupeira da história faz a sua parte.
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A ministra Delaíde Miranda Arantes conhece de perto a realidade do trabalho doméstico. Depois de ter trabalhado nessa condição como meio de ter acesso ao estudo, especializou-se em Direito do Trabalho, foi conselheira do Conselho Estadual da Mulher do Estado de Goiás e é autora do livro "O Trabalho Doméstico – Direitos e Deveres". Na entrevista, ela fala dos diversos aspectos dessa modalidade de trabalho.

Por que o trabalho doméstico não foi contemplado pela CLT, tendo em vista o grande contingente desse tipo de trabalhador no Brasil (segundo o IBGE, cerca de sete milhões)?

Ministra Delaíde - A CLT foi concebida em 1943, apenas 55 anos depois do fim da escravidão – portanto, numa época em que o trabalho doméstico estava impregnado das memórias do trabalho escravo. Os operários urbanos, sobretudo os das grandes fábricas, foram os grandes responsáveis pela conquista da maioria dos direitos trabalhistas, fruto da organização sindical, das greves e dos movimentos sociais intensos daquele período. Somente decorridos 29 anos, em 1972, a Lei 5.589/72 estabeleceu alguns direitos aos trabalhadores domésticos.

Por isso a CLT também excluiu outras categorias, como os trabalhadores rurais e os avulsos, dicotomia superada pela Constituição de 1988. Entretanto, os domésticos foram os únicos a manter a condição de discriminação até os dias de hoje, mesmo compondo a categoria profissional mais numerosa do país. Um dos fatores responsáveis por essa desigualdade é a permanência de resquícios escravagistas no tratamento dispensado ao trabalhador doméstico.

A falta de organização da categoria profissional também contribui para esse fenômeno, assim como o paradoxo gerado pelo fato de o profissional doméstico ser remunerado por outro trabalhador assalariado, muitas vezes vítima de baixos salários e do desemprego. São particularidades que constituem obstáculos à consolidação da igualdade de direitos, que, felizmente, hoje, está próxima de ser alcançada. A permanência dessa categoria profissional como subclasse trabalhadora é inadmissível diante dos avanços políticos, sociais e econômicos do país.

A aprovação em segundo turno da PEC-478/2010, que amplia direitos dos trabalhadores domésticos, pela Câmara dos Deputados e, no dia 19/3. em primeiro turno pelo Senado Federal, tem alguma relação com a Convenção nº 189 da OIT, que tem como foco as condições de trabalho e de vida de milhões de empregados domésticos?

Ministra Delaíde - Sim. Existem mais de 53 milhões de trabalhadores no mundo atuando sem as condições mínimas de proteção legal. Na América Latina há mais de 14 milhões e, no Brasil, 7,2 milhões de trabalhadores nessa situação. A aprovação da Convenção 189 da OIT indica o desejo da sociedade de banir a desigualdade de tratamento e assegurar dignidade aos milhões de empregados domésticos de todo o mundo.

Na 100ª Conferência da OIT, em 2011, tive a honra de participar da delegação brasileira e, na ocasião, apresentei depoimento pessoal, como ex-trabalhadora doméstica, que foi muito bem recebido. O Brasil ainda não ratificou a convenção, que está em processo de envio, pelo Ministério do Trabalho, à presidenta da República. Certamente a divulgação da sua aprovação pelos meios de comunicação influenciou a sociedade e trouxe expressivo impacto sobre os próprios trabalhadores, empregadores
e Poder Legislativo. O reflexo desse debate nacional ajudou a acelerar a tramitação da PEC 478/10.

A PEC garante aos empregados domésticos direito à jornada de trabalho de 44 horas semanais, hora extra, adicional noturno, FGTS e seguro desemprego, entre outros. Qual a sua opinião sobre a extensão desses direitos à categoria?

Ministra Delaíde - São direitos de todos os trabalhadores urbanos e rurais, e esta  restrição, imposta por mais de 20 anos pela Constituição, não faz sentido. São os trabalhadores domésticos que, dentro das nossas casas, cuidam dos nossos filhos e netos, da nossa alimentação, e possibilitam a todos os que trabalham fora condições para se desenvolverem profissionalmente, dando sustentação a toda a família. A importância desses trabalhadores foi finalmente reconhecida. Sem dúvida haverá um momento de adaptação dos empregadores a esses novos direitos, mas os impactos sociais serão muito positivos.

Quando por ocasião da promulgação da Constituição de 1988, setores da sociedade disseram que a economia não resistiria aos efeitos causados pelos direitos sociais conquistados, o que não se mostrou verdadeiro. Com melhores condições econômicas, esses trabalhadores poderão desenvolver suas capacidades e buscar novas ocupações no mercado de trabalho, além de investir na educação de seus filhos, proporcionado mais qualidade de vida para as futuras gerações.

A forma como esses novos direitos serão exercidos poderá depender de normas específicas, que observem a realidade do trabalhador doméstico, mas a extensão dos direitos trabalhistas constitucionais a todos os brasileiros trabalhadores já significou um grande passo rumo à igualdade. 

Em recente julgamento, a Quarta Turma proveu recurso de uma faxineira que trabalhava três dias por semana numa clínica de ortopedia e reconheceu o vínculo de emprego. Mas em outro processo, a Sétima Turma negou o reconhecimento de vínculo a um jardineiro que trabalhava duas ou três manhãs por semana numa residência. O TST já possui uma posição fechada sobre o vínculo de emprego de diarista?

Ministra Delaíde - No momento não há súmula ou orientação jurisprudencial sobre o tema no âmbito do TST. Isso significa que os ministros ainda estão construindo a jurisprudência, e não há um posicionamento majoritário. Todos têm independência para julgar cada caso concreto de acordo com sua peculiaridade.

Pessoalmente, considero que o que determina o vínculo de emprego não é o número de dias trabalhados, mas um conjunto de fatores que inclui o nível de subordinação, o padrão remuneratório, a liberdade de alteração dos termos combinados, a habitualidade e a continuidade. Por isso, a construção de um entendimento dominante que dê origem a uma súmula ou OJ não é uma tarefa simples.

Não seria mais fácil inserir um artigo na CLT para esses trabalhadores, estendendo-lhes os direitos ali previstos para outras categorias, ao invés de uma emenda constitucional?

Ministra Delaíde - O artigo 22 da Constituição Federal estabelece a competência privativa da União para legislar sobre matéria trabalhista, e o Congresso Nacional tem plena autonomia para decidir como regulamentar essa matéria. A forma de estabelecer uma legislação não é o essencial, o importante é dar efetividade aos direitos adquiridos. A necessidade de regulamentação do trabalho doméstico decorre de existência de detalhes dessa categoria que precisam ficar explicitados, como, por exemplo, o cômputo da hora extraordinária de trabalho, que é facilmente auferida em empresas privadas com muitos empregados, mas implica um exercício de confiança para o empregador doméstico. Entretanto, todos os obstáculos apresentados para a regulamentação deverão ser superados em nome da igualdade de direitos.

O Projeto de Lei nº 7.279/2010, de autoria da senadora Serys Slhessarenko, que se encontra na CCJ da Câmara dos Deputados, define diarista como o trabalhador que presta serviços no máximo duas vezes por semana para o mesmo contratante, recebendo o pagamento no mesmo dia, sem vínculo empregatício. Mas a deputada Sandra Rosado (PSB-PE) propôs emenda modificando o número de dias para no máximo um, ou seja, mais de um dia configuraria vínculo empregatício. Qual o seu entendimento sobre a matéria?

Ministra Delaíde - A diferenciação entre o empregado doméstico e o diarista, trabalhador eventual, prestador de serviços, se dá de maneira sutil. A linha divisória entre o trabalho subordinado e o autônomo está na identificação dos elementos de subordinação jurídica e econômica, continuidade e permanência do trabalho. Se um diarista presta serviço para a mesma residência ou pessoa por anos, em dias determinados da semana, sem liberdade de realizar serviços de sua conveniência em outras localidades e para fazer serviços domésticos, presentes se fazem os elementos da continuidade e permanência.

Por outro lado, o diarista que presta eventualmente o mesmo trabalho, por curto ou longo espaço de tempo, mas sem dia determinado na semana ou mês, tendo liberdade de contratar outros trabalhos de sua exclusiva conveniência, seja babá, faxineira, passadeira, não tem vinculo de emprego pela ausência dos elementos tipificadores. Acredito que estabelecer um número de dias como único componente para determinar a característica do trabalho como eventual ou contínuo não é o melhor critério, mas a soma dos elementos que compõem a relação de trabalho vai demonstrar a sua natureza, quando analisados os casos concretos.
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Juíza reconhece que o artigo literário em primeira pessoa não tem indicação de locais, datas, cargos e não cita ninguém, mesmo assim ela recebeu a denúncia do MP que acusa o jornalista de ofender desembargador do TJ, cunhado do governador Marcelo Déda (PT).

Já entrou para a história do Judiciário em Sergipe a decisão inédita da juíza Brígida Declerc, do Juizado Especial Criminal em Aracaju, de receber a denúncia do Ministério Público Estadual, contra o jornalista Cristian Góes, 42, por ele ter escrito em seu blog uma crônica ficcional que trata do coronelismo.
A magistrada reconhece que o artigo, literário e escrito em primeira pessoa, não tem qualquer indicação de locais, datas, cargos públicos e não cita ninguém, mas mesmo assim a juíza acatou a denúncia do MP, que por sua vez entende que a crônica quando fala de um “coronel” estaria o jornalista a se referir ao governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT). Para o MP quando o artigo literário cita uma vez a expressão “jagunço das leis” estaria fazendo referência objetiva ao desembargador do Tribunal de Justiça, Edson Ulisses, cunhado do governador.
A última audiência do processo criminal movido pelo desembargador contra o jornalista ocorreu na sexta-feira, 22, na sede do Tribunal de Justiça de Sergipe, onde o irmão do governador Marcelo Déda, o desembargador Cláudio Déda é o presidente, e o seu cunhado, o desembargador Edson Ulisses é o vice-presidente, este último escolhido e nomeado pelo governador. Atendendo ao pedido do desembargador Edson Ulisses, o Ministério Público, ainda na primeira audiência de conciliação já denunciou criminalmente o jornalista pelo crime de ter escrito a crônica ficcional. Por coincidência, dias depois da denúncia, a promotora de Justiça Allana Costa, que era substituta e trabalhava no interior de Sergipe, foi premiada com a promoção para a capital, em cargo de coordenadoria.
Na audiência da última sexta-feira, 22, vários representantes de movimentos sociais que lutam pela liberdade de expressão e até familiares do jornalista foram impedidos de participar da audiência. A segurança da Polícia Militar dentro do tribunal foi reforçada. Todos os lugares da sala de audiência foram tomados desde cedo por funcionários com cargos comissionados e terceirizados do Tribunal de Justiça. A audiência durou mais de quatro horas e a juíza Brígida Declerc proibiu qualquer registro fotográfico e sonoro.

As ações - O desembargador Edson Ulisses, cunhado do governador Marcelo Déda, alegou que a crônica literária “Eu, o coronel em mim”, escrita pelo jornalista Cristian Góes em maio de 2012 em seu blog acata diretamente o governador de Sergipe e a ele, por consequência. Por isso, ingressou com duas ações judiciais. Na criminal, o desembargador pede a prisão de quatro an os do jornalista. Na cível, pede que o juiz estabeleça um valor de indenização por danos morais e já estipula os honorários dos seus advogados em R$ 25 mil. Na audiência da última sexta-feira, o desembargador foi ouvido pela juíza e disse se referindo ao jornalista e a crônica literária: “Todo mundo sabe que ele escreveu contra o governador e contra mim. Não tem nomes e nem precisa, mas todo mundo sabe que o texto ataca Déda e a mim”.

O advogado Antônio Rodrigo, que faz a defesa do jornalista, chegou a apresentar uma peça jurídica que é uma decisão do próprio desembargador Edson Ulisses. Em 13 de março do ano passado, na Apelação Criminal 1506, da 9ª Vara Criminal, Edson Ulisses decide um caso parecido alegando que “
é imprescindível a demonstração da intenção do querelado de ofender a imagem ou a honra objetiva do querelante”. Para o advogado Antônio Rodrigo é completamente impossível na crônica literária assinada por Cristian Góes encontrar a mínima prova da intenção de ofender a honra de ninguém. “Esse alguém não existe no texto. É fato. É concreto. Não é uma questão de interpretação. Falta, portanto, justa causa para que a ação se processe”, disse o advogado.
Também na audiência foram ouvidas duas testemunhas de acusação. Uma delas foi o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, Clóvis Barbosa, que foi secretário do governador e foi nomeado por Marcelo Déda para o cargo de conselheiro. Ele disse que o jornalista é “porta-voz de um grupo político aliado do governador, mas que fez críticas ao governador. O texto foi contra o governador e atacou o desembargador Edson Ulisses diretamente, aliás, acatou todo o Judiciário sergipano. Eu aconselhei a ele que tinha que processar esse rapaz”, afirmou Clóvis. Questionado pelo advogado Antônio Rodrigo sobre onde es taria na crônica literária alguma referência concreta ao governador e ao desembargador e qual o grupo político que o jornalista é porta-voz, Clóvis Barbosa disse: “todo texto é um ataque a Marcelo Déda. Não fala nomes, mas todo mundo sabe que é. Sobre o grupo político tudo mundo sabe qual é”.
A juíza negou - O advogado Antônio Rodrigo indicou como testemunhas de defesa do jornalista o governador Marcelo Déda, mas a juíza Brígida Declerc negou qualquer possibilidade de ouvir o governador porque, segundo ela, Déda não é “parte” no processo. A juíza também indeferiu uma série de perguntas do advogado ao desembargador Edson Ulisses e as suas testemunhas por conta das respostas vazias, como “todo mundo sabe”. A magistrada também não permitiu que fosse relacionado como testemunha de defesa do jornalista o representante da organização Repórteres Sem Fronteiras, Beoit Hervieu. Serão ouvidos por carta precatória o jornalista Paulo Henrique Amorim e o jornalista Celso Schroder, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas.

A crônica literária “Eu, o coronel em mim” é um texto em estilo de confissão de um coronel imaginário dos tempos de escravidão que se vê chocado com o momento democrático. Não há citação de nomes, locais, datas, cargos públicos. “É impossível que qualquer pessoa concreta possa se reconhecer no texto. Para se condenar é preciso ter agressor e vítima devidamente identificados. Nesse caso não há nada. Se esse caso prosperar no Judiciário em Sergipe será algo inédito e de repercussões muito graves ao Estado Democrático de Direito. É um ataque violento à liberdade de expressão. Ter liberdade de expressão não é ter liberdade para elogiar”, disse o advogado Antônio Rodrigo.
A presidente do Sindicato dos Jornalistas, Caroline Rejane, lamenta que a liberdade de expressão esteja sendo gravemente atacada pelo poder Judiciário em Sergipe. “Nós estamos nos solidarizando ao companheiro Cristian Góes, mas não só por ele, por todos os profissionais da área de Comunicação que estão seriamente ameaçados”, disse.
A próxima audiência está marcada para o dia 19 de abril.
 
Sindicato dos Jornalistas de Sergipe

Veja a íntegra da crônica que causou os processos:
 
Eu, o coronel em mim
Está cada vez mais difícil manter uma aparência de que sou um homem democrático. Não sou assim, e, no fundo, todos vocês sabem disso. Eu mando e desmando. Faço e desfaço. Tudo de acordo com minha vontade. Não admito ser contrariado no meu querer. Sou inteligente, autoritário e vingativo. E daí?
No entanto, por conta de uma democracia de fachada, sou obrigado a manter também uma fachada do que não sou. Não suporto cheiro de povo, reivindicações e nem conversa de direitos. Por isso, agora, vocês estão sabendo o porquê apareço na mídia, às vezes, com cara meio enfezada: é essa tal obrigação de parecer democrático.
Minha fazenda cresceu demais. Deixou os limites da capital e ganhou o estado. Chegou muita gente e o controle fica mais difícil. Por isso, preciso manter minha autoridade. Sou eu quem tem o dinheiro, apesar de alguns pensarem que o dinheiro é público. Sou eu o patrão maior. Sou eu quem nomeia, quem demite. Sou eu quem contrata bajuladores, capangas, serviçais de todos os níveis e bobos da corte para todos os gostos.
Apesar desse poder divino sou obrigado a me submeter à eleições, um absurdo. Mas é outra fachada. Com tanto poder, com tanto dinheiro, com a mídia em minhas mãos e com meia dúzia de palavras modernas e bem arranjadas sobre democracia, não tem para ninguém. É só esperar o dia e esse povo todo contente e feliz vota em mim. Vota em que eu mando.
Ô povo ignorante! Dia desses fui contrariado porque alguns fizeram greve e invadiram uma parte da cozinha de uma das Casas Grande. Dizem que greve faz parte da democracia e eu teria que aceitar. Aceitar coisa nenhuma. Chamei um jagunço das leis, não por coincidência marido de minha irmã, e dei um pé na bunda desse povo.
Na polícia, mandei os cabras tirar de circulação pobres, pretos e gente que fala demais em direitos. Só quem tem direito sou eu. Então, é para apertar mais. É na chibata. Pode matar que eu garanto. O povo gosta. Na educação, quanto pior melhor. Para quê povo sabido? Na saúde...se morrer “é porque Deus quis”.
Às vezes sinto que alguns poucos escravos livres até pensam em me contrariar. Uma afronta. Ameaçam, fazem meninice, mas o medo é maior. Logo esquecem a raiva e as chibatadas. No fundo, eles sabem que eu tenho o poder e que faço o quero. Tenho nas mãos a lei, a justiça, a polícia e um bando cada vez maior de puxa-sacos.
O coronel de outros tempos ainda mora em mim e está mais vivo que nunca. Esse ser coronel que sou e que sempre fui é alimentado por esse povo contente e feliz que festeja na senzala a minha necessária existência.
José Cristian Góes
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BOLETIM DO CENTRO DE MÍDIA INDEPENDENTE - M31 2013
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1) [RÁDIO CORDEL LIBERTÁRIO] 04/04 - 21:10 - A LUTA LIBERTÁRIA / 
ANARQUISTA NA LUTA E NA RESISTÊNCIA DO CAMPO
2) GRUPO ARGENTINO REALIZA INTERCÂMBIO EM FORTALEZA NA SEMANA DO 
GOLPE MILITAR
3) OCUPAÇÃO DA REITORIA DA UDESC: CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA 
UNIVERSIDADE PUBLICA
4) BERGOGLIO, O CARDEAL DA "GUERRA DE DEUS" CONTRA AS LIBERDADES CIVIS
5) SC - E VOCÊ, SUPORTARIA QUANTO? REFLEXÕES SOBRE A REUNIÃO ENTRE 
A OCUPAÇÃO CONTESTADO E A PREFEITA DE SÃO JOSÉ.
6) SP - AÇÕES CRIMINOSAS DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO NO SÍTIO 
SÃO FRANCISCO



1) [RÁDIO CORDEL LIBERTÁRIO] 04/04 - 21:10 - A LUTA LIBERTÁRIA / 
ANARQUISTA NA LUTA E NA RESISTÊNCIA DO CAMPO

Um bate-papo com o Inácio, integrante do CICLOVIDA, sobre seus projetos
e sobre a luta libertária/anarquista na luta do campo, na luta por
terra, por sementes, por vida!!!!
É de extrema importância não nos distanciarmos da luta e resistência
travada no contexto rural pelxs companheirxs libertárixs/anarquistas,
pois o diálogo entre campo, cidade e floresta nos possibilitam
articulações e parcerias de luta, construindo assim uma luta não
hierarquizada, que tem como centro o contexto urbano, e sim uma luta de
apoios-mútuos nos diversos contextos.

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2013/03/517757.shtml



2) GRUPO ARGENTINO REALIZA INTERCÂMBIO EM FORTALEZA NA SEMANA DO 
GOLPE MILITAR

Quando a arte não nos deixa esquecer as dores e o peso da Ditadura
Militar de (1964-1985), é hora de retomar essa memória e transformá-la
em poesia. Essa é a proposta do Coletivo de Arte-Ativismo,
Aparecidos Políticos . Durante a semana em que se lembra os 49 anos
do Golpe Militar, Fortaleza-CE receberá o Grupo Argentino, Arte
Callejero, em intercâmbio entre os dias 1º e 6 de abril, na Capital.

Matéria completa:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2013/03/517672.shtml



3) OCUPAÇÃO DA REITORIA DA UDESC: CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA 
UNIVERSIDADE PUBLICA

No dia 19 de março, através da reunião do Conselho Universitário da
UDESC (CONSUNI), foi aprovado o processo de no 11781\2012, referente a
alterações do regimento geral da universidade.


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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2013/03/517506.shtml



4) BERGOGLIO, O CARDEAL DA "GUERRA DE DEUS" CONTRA AS LIBERDADES CIVIS

O cardeal argentino Jorge Bergoglio foi eleito como o novo Papa, baixo
o nome de Francisco I. Em várias organizações e espaços sociais
recebe-se de forma crítica a notícia de sua nomeação, tanto pelos
antecedentes do arcebispo em particular, como pelo entendimento de que
a hierarquia da Igreja aprofunda seu rumo ultraconservador e hostil às
liberdades civis. Além disso, advertem sobre seu papel político em uma
América Latina cruzada por profundos conflitos e processos sociais de
mudança.

Matéria completa:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2013/03/517569.shtml



5) SC - E VOCÊ, SUPORTARIA QUANTO? REFLEXÕES SOBRE A REUNIÃO ENTRE 
A OCUPAÇÃO CONTESTADO E A PREFEITA DE SÃO JOSÉ.

Como se marca uma reunião com a prefeitura de São José? Para você
leitor e morador do município que não sabe, a Ocupação Contestado
ensina. A coordenação protocolou um pedido de reunião no dia 8/1/2013,
que foi ignorado. No dia 20/02, em um encontro com a prefeita Adeliana
Dal Pont, ela prometeu atender o tal pedido no prazo de 2 semanas- após
15 dias de uma não definição de data, por parte da prefeitura, um ato
em frente a ela foi organizado no dia 7/03, cujo resultado foi o
encontro que aconteceu ontem (13/03) na prefeitura.

Matéria completa:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2013/03/517533.shtml



6) SP - AÇÕES CRIMINOSAS DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO NO SÍTIO 
SÃO FRANCISCO

Muitos moradores só ficam sabendo que terão de sair de suas casas
quando suas residências são marcadas com uma tinta preta. Ao oferecer
resistência, o morador é informado de que sua casa é ilegal, mas que a
CDHU dará um apartamento para sua família morar.
LEIA mais, clicando no título da matéria ou em

Matéria completa:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2013/03/517531.shtml



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