Secom quer agilizar acesso à informação Secretaria prioriza duas frentes de trabalho, o bom uso da internet e a comunicação interna

17:16 Radio Ideal FM 0 Comentarios


Rosimeire Silva rosimeire.silva@jcruzeiro.com.br

Agilizar o acesso a informações e serviços da administração municipal para a população, a partir da informatização e unificação de dados das diferentes áreas de gestão é o desafio que a Secretaria de Comunicação pretende atingir neste primeiro ano de governo. Dentro da política de transparência defendida pelo prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), a Secretaria de Comunicação passou a ocupar uma posição estratégica dentro desse modelo de gestão. Tanto que logo depois de anunciar que a pasta seria extinta dentro da proposta de reforma administrativa, o próprio prefeito voltou atrás na decisão e nomeou o jornalista Lincoln Santos Salazar para assumir definitivamente como secretário de Comunicação.

Integrante da equipe da Secretaria de Comunicação desde 2005, o secretário reconhece que a Prefeitura ainda não utiliza todo o potencial que poderia ser disponibilizado em seu portal na internet e outros veículos que promovam uma interação maior entre o Poder Público e a população e, por isso, aposta numa reformulação dessa ferramenta. Outro compromisso assumido pelo secretário é estreitar a comunicação entre a equipe de governo e os veículos de comunicação, como forma de eliminar os atritos que ele reconhece que existiram no passado, permitindo maior acesso a informações de interesse público.

Dentro do Paço, o secretário defende a implantação de uma comunicação interna mais eficiente para que os servidores possam ter acesso a tudo o que envolva a Prefeitura e não fique limitado à sua área de trabalho. Leia abaixo a íntegra da entrevista que o secretário de Comunicação, Lincoln Salazar concedeu ao jornal Cruzeiro do Sul, como parte do projeto realizado em parceria com a rádio Cruzeiro FM (92,3 MHz).

Jornal Cruzeiro do Sul - O prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) havia anunciado inicialmente a extinção da Secretaria de Comunicação, mas voltou atrás nessa decisão algumas semanas após assumir a administração. O que motivou a manutenção da pasta?

Lincoln Santos Salazar - Nos primeiros dias de Governo, nós vimos que estava havendo, por uma série de fatores, um distanciamento muito grande entre a área de comunicação e a Secretaria de Governo e Relações Institucionais. Quando nós fizemos o projeto inicial não conseguíamos prever ainda. Por isso foi uma aposta. O secretário João Leandro (João Leandro da Costa Filho, secretário de Governo e Relações Institucionais) teve um aumento de demanda de trabalho também muito grande. E por não ser um profissional da área, ele tinha uma dificuldade de entender a velocidade da comunicação, que é muito dinâmica, e nós precisamos de respostas todos os dias. Essa falta de um bom fluxo de informação da área de comunicação com a Secretaria de Governo foi o que mais deixou o prefeito preocupado. E não passou muito tempo. Depois de 12 dias de governo, o prefeito viu que não estava funcionando e me chamou para uma conversa, me expôs o problema, porque eu não estava, na época, e nos últimos meses do governo anterior, envolvido com a comunicação. Eu estava na Secretaria de Planejamento. O prefeito me expôs o problema e perguntou o que eu achava. Eu disse que poderia ajudar, mesmo estando no Planejamento, a fazer essa ponte com a comunicação. Mas ele me disse que gostaria de me nomear secretário de Comunicação e que saísse do Planejamento. Então, eu acredito que tenha sido essa falta de dinamismo do setor de comunicação, que envolve todas as áreas, como propaganda, assessoria de imprensa e comunicação interna, que levou o prefeito Pannunzio a reativar a Secretaria de Comunicação.

JCS - A transparência nas ações do governo é uma das políticas defendidas pelo atual prefeito. Quais são as estratégias de comunicação estabelecidas pelo senhor para que essa diretriz será realmente efetivada?

Lincoln - Isso é muito fácil com o grupo que se formou no secretariado. São secretários que têm um perfil político, o qual o prefeito tanto fala. Esse perfil é de não se omitir no momento em que eles são necessários. Essa política de transparência se torna fácil a partir do momento em que a informação passa a correr de forma mais fácil. O que a gente tentou fazer, desde o começo do governo, quando ainda estava no Planejamento e depois na Comunicação, é não deixar que as informações virem um tabu dentro da administração. As informações têm que correr. Se a Prefeitura não tem alvará, não tem problema nenhum de falar que não tem alvará, a partir do momento em que você se compromete a resolver esse problema. Isso facilita o nosso trabalho. Fora isso, que é um trabalho da assessoria de imprensa e da comunicação interna, temos também o lado da comunicação oficial, que tem como ferramentas a imprensa oficial, o site e a propaganda. No caso da propaganda, ela foi instrumentalizada por uma lei recente, de 2010, que nos obriga a dar clareza nos nossos atos. A Prefeitura também tinha uma certa desorganização interna, que a gente ficava tentando solucionar, para o fornecimento de números e informações. A gente precisa unificar todos os dados e criar um mecanismo que facilite o acesso das pessoas a todos os dados da administração. E nisso, a Secretaria da Comunicação é parte integrante porque ela cria interfaces. Não somos nós que vamos unificar os dados, mas vamos criar o acesso da população a eles. A gente trabalha quatro frentes quase diuturnamente que são a assessoria de impresa, os veículos oficiais, a propaganda e agora a Lei de Transparência Pública.

JCS - Dentro dessa linha de transparência, o prefeito também determinou que haja um canal mais aberto entre os veículos de comunicação e os secretários municipais. Por que havia essa resistência em abrir esse diálogo direto entre a imprensa e a equipe de governo?

Lincoln - Às vezes é pelo perfil das pessoas. Nós temos muitas vezes um técnico - e isso nós ainda temos na Prefeitura - que é um especialista na área. Ele conversa com você e dá uma aula sobre o assunto. Daí eu peço para que dê uma entrevista e ele começa a tremer. Isso é normal. Quando o prefeito Pannunzio fala que o secretário tem que ter perfil político, essa parte também envolve a política. É saber que quem ocupa um cargo de agente político, que é o cargo de secretário, obrigatoriamente também tem que falar com pessoas e tem que prestar contas. Hoje isso ficou mais fácil com essa montagem de um time que é formado por pessoas que além dominarem seus assuntos também dominam essa prática de se comunicar, de falar, de prestar contas, de agir como um ente político. Isso facilita o nosso trabalho, inclusive da Comunicação.

JCS - Quais são os canais de comunicação disponibilizados atualmente pela administração municipal e a quem eles se destinam?


Lincoln - Hoje nós temos a Imprensa Oficial, primeiro canal direto de comunicação, que é um órgão oficial da Prefeitura que disponibiliza todas as leis, decretos, portarias e resoluções da Prefeitura, de suas empresas e autarquias, além de algumas informações de interesse coletivo. A publicação é gratuita e distribuída em vários pontos da cidade e órgãos do Poder Público. Ela funciona para um público mais amplo. Nós temos também o Portal da Cidadania, que é uma ferramenta ainda pouco trabalhada e a gente reconhece isso. Eu fui responsável pelo portal por muitos anos e sabemos que ainda não é uma ferramenta completamente integrada ao cidadão, precisamos melhorar o seu nível de serviços oferecidos, mas ela já oferece muitas informações. Uma parte a gente já faz, agora precisamos aumentar a interação, fazer com que as pessoas sejam mais atingidas pelo Portal da Cidadania e possam interagir e receber retorno sobre assuntos importantes. Temos ainda as TVs indoor, que são veículos de comunicação da Prefeitura espalhados em mais de cem pontos da cidade, que fazem um trabalho de levar informações de serviços públicos e algum outro programa que a Prefeitura esteja lançando. É um veículo que está se aprofundando e usa o tempo vago das pessoas para atrair a atenção. Temos também os vídeos da Sorocaba WEB TV, que são colocados no nosso site, com reportagens variadas sobre os assuntos da administração pública. Temos tido algum sucesso com isso. Nossas reportagens têm 200, 500 e até 800 visualizações. Isso é importante, mas ainda é um veículo que está começando. Por ser do Poder Público sabemos que não vai atingir uma grande massa, mas precisamos melhorar a qualidade para atingirmos isso. De veículos oficiais para o público externo são esses. Para o público interno nós temos como veículos o nosso mural, um quadro de avisos, que é uma ferramenta da Prefeitura para se comunicar com os servidores. Outro canal é o Núcleo de Comunicação, que é uma organização dentro da Secretaria de Gestão de Pessoas que trabalha com representantes de cada secretaria para fazer o bom uso do que a gente chama de "rádio peão", que é aquela "rádio" que funciona nos corredores do Paço levando informação negativa para cima e para baixo. Isso existe em qualquer empresa. Nós queremos fazer com que essa "rádio" também seja utilizada para o lado bom, levando informação positiva e correta para os diversos setores. São esses os veículos que temos utilizado com frequência.

JCS - Quais desses canais o senhor pretende priorizar como parte da estratégia de comunicação?

Lincoln - Dois canais em especial têm chamado nossa atenção. Um deles é esse da comunicação interna. Porque a gente acha que é fundamental que as pessoas que estão na Prefeitura conheçam o Paço como um todo. É muito engraçado, mas às vezes eu via isso até nos nossos profissionais de comunicação e eles melhoraram e se aprimoraram. Quer dizer, você está ali fechado no seu nicho e para de ver o todo. Às vezes eu estou na minha casa e recebo uma crítica - e eu recebia muito isso - e não tem a resposta na hora, não sabe por que aquilo está acontecendo e muitas vezes a culpa é do poder público, é uma falha nossa. Mas, às vezes, não é. Muitas vezes uma determinada coisa acontece para o bem coletivo, o bem geral. Então, é importante fazer com que todos os profissionais do Paço comecem a ter uma visão global da Prefeitura, saber que o que ela faz ali impacta diretamente no funcionamento de um programa, de um projeto. É começar a ter uma visão global. Levar uma informação boa para todos os lugares e isso tem tido muita aceitação dos nossos funcionários públicos. Identificamos algumas lideranças em cada pasta e fazemos com que essas lideranças multipliquem as informações por todos os setores. O outro canal que terá uma atenção especial é a internet. A internet é muito dinâmica e adaptar a Prefeitura à internet é complicado. Isso em qualquer órgão público. Você precisa fazer um trabalho - e isso nós já temos conversado com o secretário de Planejamento, professor Rubens (Rubens Hungria de Lara), o secretário de Gestão de Pessoas (Rodrigo Antonio Maldonado Silveira), de Administração (Roberto Juliano) e de Finanças (Aurilio Sérgio Costa Caiado) - para que a gente possa adequar a máquina também à internet, à velocidade que a internet tem. Adequar a estrutura e fornecer respostas rápidas, soluções mais ágeis para as pessoas, é fundamental. Duas frentes do nosso trabalho serão o bom uso da internet e a comunicação interna.

JCS - A dengue é o assunto em pauta na atual administração e a comunicação é uma ferramenta importante no combate à proliferação da doença. Quais as ações que a Secretaria de Comunicação pretende fazer em relação a esse tema?

Lincoln - Em relação à dengue, primeiro nós temos focado no trabalho inicial de não omitir informação. Inclusive, tivemos até um problema recente de um caso, de uma fatalidade que não foi dengue, mas que foi noticiada como sendo dengue. Num primeiro momento ficou como se estivéssemos escondendo, mas não houve isso. Nós temos um compromisso com a informação. No primeiro momento que fui informado sobre a primeira morte por dengue, um menino que faleceu, inclusive no meu bairro, no Jardim Brasilândia, na sexta-feira por volta das 10 horas da manhã, eu falei na hora: vamos ter que marcar uma coletiva e falar sobre isso. E o prefeito na hora topou, o secretário de Saúde (Armando Martinho Bardou Raggio) também. Porque é importante não omitir. A primeira coisa que temos que pensar sobre a dengue é a informação em todos os sentidos. A pessoa saber o que está acontecendo e onde está acontecendo também é importante do ponto de vista do esclarecimento. Saber o que eu tenho que fazer, como fazer e daí os veículos de comunicação são importantíssimos. O outro momento é a criação da propaganda. Nós desenvolvemos um material infantil para ser entregue nas escolas, porque a gente aposta nas crianças como influenciadores do ambiente familiar. Uma ideia que a gente tem é criar no ambiente escolar o mini agente da dengue. Usar essa energia infantil para que a criança em casa seja o agente da dengue. Vamos também distribuir folhetos, panfletos e cartazes pela cidade para que as pessoas tenham conhecimento. É um trabalho muito simples o combate a dengue, basta uma vez por semana dar uma geral no seu quintal e eliminar os possíveis focos. Essa propaganda também é importante. Mas acho que o mais importante é oferecer e gerar confiança na população de que você vai dar informação na hora que ocorrer. Infelizmente nós tivemos aqui uma morte por dengue e um número muito grande de casos. O secretário de Saúde fala isso muito abertamente para que as pessoas tenham noção da gravidade do que temos. Então, nós trabalhamos com isso: informação e material de apoio.

JCS - Como a Secretaria de Comunicação tem atuado para garantir o cumprimento da Lei da Transparência em relação ao retorno às solicitações dos cidadãos?

Lincoln - A Secretaria de Comunicação deve criar a interface. A Lei da Transparência foi atendida, num primeiro momento, com os balcões de informações na unidades da Casa do Cidadão e no Fale Conosco. Só que nós queremos avançar um pouco. Nós temos a nossa central 156 e no site também tem o Fale Conosco, onde a pessoa pode fazer qualquer solicitação. A Lei da Transparência nos fez acelerar o tempo de resposta, só que a gente precisa de mais. Precisamos criar uma estrutura para oferecer uma solução mais ágil, não apenas à informação. A Secretaria de Planejamento é muito importante nesse processo, porque é ela que detém o recurso tecnológico, que dispõe de toda parte de TI (Tecnologia da Informação). É preciso unificar os dados da Prefeitura, criar uma linguagem que facilite o acesso a todos os bancos de dados e daí a Secretaria de Comunicação entra com a interface, seja por meio da internet ou do telefone, que possibilite que a pessoa tenha acesso a essa informação de forma padronizada. Nosso trabalho é criar esse vínculo da Prefeitura com a população.

JCS - Esse canal de informação tem sido bastante utilizado pela população? Quais são as principais demandas que chegam?

Lincoln - O Fale Conosco é bem utilizado. Quem tem o controle desses dados é a Secretaria de Administração. Nós só fazemos o encaminhamento. Mas, normalmente, são os serviços públicos. As pessoas procuram mais informações sobre serviços públicos. São pedidos de roçagem, mato alto, conteineres danificados. Os pedidos de informações mais agudas como, por exemplo, sobre recursos do orçamento, são muito poucos. Não chega a um por dia. Também temos reclamações sobre falta de vagas em creche, demora no atendimento de serviços de saúde, que às vezes acontece.

JCS - Qual o prazo de retorno dessas solicitações que chegam?

Lincoln - O prazo de retorno hoje está estabelecido em 48 horas. Mas a gente quer trazer esse prazo para o mesmo dia. Não a solução, mas pelo menos a resposta tem que chegar. Para isso precisamos da entrada de funcionamento dos novos sistemas e criar toda uma infraestrutura. A internet é uma ferramenta nova e é muito complicado você colocar uma estrutura de décadas, toda engessada pela burocracia e adaptar à velocidade que a internet imprime. Hoje em dia as pessoas buscam a informação na velocidade da internet. Se não responder agora, ela pode reclamar na rede social depois de duas ou três horas. Isso é normal. É o funcionamento de hoje. Nós temos que nos adaptar, mas para isso temos que criar uma estrutura que adapte o funcionamento da Prefeitura à essa necessidade da população e temos que envolver profissionais de diversas áreas, inclusive da comunicação. Esse trabalho de pensar os fluxos de informação dentro da Prefeitura e adaptar a tecnologia a isso é o nosso principal desafio.

JCS - Quais são as prioridades da Secretaria da Comunicação neste primeiro ano de gestão?

Lincoln - No ponto de vista da comunicação nossa prioridade, já que temos um orçamento bem reduzido, será desenvolver uma melhor solução para os gastos da Secretaria de Comunicação. Nós temos alguns contratos por vencer que precisamos renegociar e daí conseguir melhores preços. Temos também que pensar em fixar essa cultura da transparência. Entre os secretários isso é mais fácil, porque eles já têm essa cultura. Dinamizar esse processo de unificação de dados, de desburocratização e achar meios mais lógicos de conseguir fazer com que a informação chegue até as pessoas. Essa velocidade é o que a gente precisa neste ano, achar soluções criativas para fazer com que as informações cheguem. Para isso, vamos precisar do pessoal da TI, mas também de nosso espírito inovador na Secretaria de Comunicação para poder achar formas de dinamizar nosso site, de melhorar a imprensa oficial. Nosso relacionamento no passado muitas vezes foi conflituoso com os órgãos de imprensa e queremos que seja o mais harmonioso possível. A gente depende da imprensa e sabemos que a imprensa também depende do nosso trabalho para levar a informação para o mesmo público que queremos atingir, que é o munícipe. Quer dizer, a gente quer falar com o munícipe e a imprensa quer levar informação para ele, então não há porque haver conflito. Essa nova cultura de esclarecer tudo, não esconder quando a gente tem uma falha, é nosso objetivo. A gente quer acertar sempre, fazemos tudo de boa fé, mas podemos errar. E quando a gente erra, a gente reconhece. Nós reconhecemos na manutenção da Secretaria da Comunicação, reconhecemos na criação da Secretaria de Serviços Públicos, que já era uma ideia da transição e que acabou se mostrando necessária neste momento. É disso que a gente precisa. Olhar toda a administração e a forma de fazer gestão com o olhar de inovação. Soluções que não são apenas para agora, mas projetando o futuro. É o que a gente busca.
Fonte : Jornal Cruzeiro do Sul

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