Governo do Estado promove ações para enfrentamento ao crack Projeto com ênfase na abordagem humanizada, acolhimento de usuários e reinserção social trabalha com dependentes na região conhecida como cracolândia

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O Governo do Estado de São Paulo, em reconhecimento à grave epidemia de consumo e tráfico de drogas e com visão de situação de calamidade pública, está agindo pró-ativamente com o Projeto Estadual de Enfrentamento ao Crack. Trata-se de uma ação intersetorial que conta com o trabalho das secretarias de Estado de Desenvolvimento Social, Saúde, Justiça e Defesa da Cidadania e do Emprego e Relações do Trabalho.
A ação está sustentada em três etapas: abordagem social, acolhimento para tratamento e reinserção social, com foco em homens e mulheres adultos. “Com esse projeto, o Governo pretende dar a oportunidade de reconstrução da autonomia, de vínculos sociais e comunitários dos dependentes moradores de rua”, disse Rodrigo Garcia, secretário de Desenvolvimento Social.
O trabalho de abordagem social está sendo realizado com o apoio da Associação Missão Belém, entidade conceituada e reconhecida no atendimento humanizado e acompanhamento da população em situação de rua, usuária ou dependente de substâncias psicoativas. “Aqui vemos um grande diferencial na atuação do Governo do Estado no enfrentamento ao crack. Os agentes da abordagem são pessoas que já estiveram em situação de rua e dependência química e foram reinseridos socialmente pelo trabalho da Missão Belém”, explicou o secretário durante visita à região conhecida como cracolândia na última quinta-feira, dia 27.
É o caso de Elizeu Dias, que coordena a abordagem dos usuários feita pela Missão Belém. “Estou livre das drogas há sete anos. Sempre ouvia que ser viciado era falta de vontade ou atitude. Mas não. Muitas vezes joguei a droga fora, mas em seguida saía para comprar mais porque não vencia o vício. Só depois do contato com a Missão e meu encontro com Deus é que consegui superar o problema. É um processo longo”, contou.
Elizeu também já coordenou as casas de acolhida. “O que me dá mais alegria hoje é ver os ex-usuários recuperados nos ajudando na causa. Alguns conseguiram emprego como pedreiro ou eletricista, mas decidiram fazer o trabalho missionário para ajudar nossos irmãos de rua”, disse acrescentando que adotou cinco crianças que estavam em situação de abandono. “São todos irmãos, mas de pais diferentes, com idades entre 3 e 9 anos. Para mim tudo isso é uma missão divina”.
Convênio
A ação de abordagem é resultado de um convênio assinado entre a Missão Belém e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social para a contratação de 56 agentes – 50 para trabalho de abordagem nas ruas mais seis para apoio nas casas de triagem, todos recuperados e capacitados pela Missão. Além deles, há um corpo técnico formado por uma coordenadora do trabalho de rua, dois assistentes sociais, um psicólogo, um advogado, um coordenador para as casas de triagem e um coordenador geral.
Em menos de 30 dias de abordagem, 210 pessoas foram retiradas da Cracolândia e levadas para as casas de triagem da Missão. “Hoje temos 137 porque tivemos 23 desistências. A rotatividade é grande, principalmente nos primeiros dias por conta da crise de abstinência. Mas felizmente muitos voltam para o nosso acolhimento”, completou o padre Giampietro Carraro, responsável pela Missão Belém.
Enquanto o padre Giampietro apresentava ao secretário seu método de abordagem, uma ex-usuária, Andrea Vanessa da Cruz, recuperada pelo trabalho da Missão Belém, aproximou-se do grupo. “Quando eu revi o padre, precisei parar para falar com ele”, disse Andrea. Há seis anos ela aceitou sair da Cracolândia e foi para uma das casas da Missão, localizada no município de Rio Grande da Serra, região do Grande ABC. “Os primeiros 20 dias foram muito difíceis por conta das crises de abstinência. Mas com a laborterapia e o apoio espiritual dos missionários e a ajuda dos outros, que como eu estavam lá em busca da solução do problema, consegui me recuperar em oito meses. Tive minhas recaídas, sempre quando a solidão batia mais forte, mas hoje posso dizer que venci o vício”.
Depois de passar pelas casas de triagem e por tratamento de saúde, se for necessário, os usuários serão recebidos em moradias assistidas, onde se iniciará a reinserção social. Nesta etapa, o processo conta com atividades de educação, trabalho, lazer, esporte e cultura, além de incentivo para o retorno ao convívio familiar, se a situação permitir.
“A complexidade do problema exige uma abordagem totalmente nova. Por isso os objetivos das ações do Governo no enfrentamento ao crack são claros: o acolhimento e a reinserção social completa dos ex-usuários e o fortalecimento de seus vínculos familiares e sociais”, concluiu Rodrigo Garcia.
Missão Belém
A Missão Belém foi organizada pelo padre Giampietro Carraro em 2005. Mas há 12 anos o padre atua com usuários de droga. “Em 2005 pedi licença à Arquidiocese para atuar exclusivamente nas ruas”. Desde então, o padre Giampietro faz essa abordagem diferenciada, muitas vezes passando várias noites junto aos moradores de rua. Voluntários e missionários acompanham o padre. “Ao nos ver como iguais, os usuários sentem confiança em nos seguir. Dessa forma temos conseguido bons resultados”.
Durante a visita feita à Cracolândia, 13 pessoas aceitaram ir para as casas de triagem. A Missão conta hoje com 100 casas no Estado de São Paulo. “Hoje temos capacidade para acolher 1,4 mil pessoas. Mas em sete anos de atividades, mais de 22 mil pessoas passaram por nossas casas”, finalizou o padre.
Ana Trigo

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