Sou a favor da inclusão, e inclusão não significa cotas', diz reitor da USP Em entrevista ao G1, João Grandino Rodas falou sobre a política da USP. Reitor diz que não teme ser alvo de brincadeira nas redações da Fuvest.

17:18 Radio Ideal FM 0 Comentarios



João Grandino Rodas está prestes a encerrar seu terceiro de quatro anos de gestão como reitor da Universidade de São Paulo (USP). Desde janeiro de 2010, ele já enfrentou, entre outros desafios, o assassinato de um estudante no estacionamento de uma das faculdades da Cidade Universitária; a ocupação do prédio da reitoria por estudantes pedindo o fim do convênio com a Polícia Militar após o crime, uma investigação do Ministério Público por uso indevido de verba pública; e a suspensão da licitação de um inovador e milionário sistema de iluminação nos campi da principal universidade do país.
Agora, com a entrada em vigor da lei que, até 2016, vai garantir metade das vagas nas universidades federais para estudantes de escola pública, o debate sobre cotas sociais e raciais voltou a ganhar a atenção da sociedade. O texto final da lei retirou as universidades estaduais da obrigatoriedade de reservar vagas e, portanto, a USP segue livre para decidir como selecionar seus alunos. Em entrevista ao G1 concedida durante a cermiônia do Prêmio Santander Universidades, na quarta-feira (21), Rodas afirmou que é a favor da inclusão, mas que estudantes só devem ser selecionados fora do critério de mérito se a instituição tem recursos e profissionais para compensar o "gap" entre os "melhores alunos" e os "melhores alunos de certas categorias". "Sou a favor da inclusão. Agora, inclusão não significa cotas", afirmou.
As críticas e ataques de estudantes e dos sindicatos de funcionários e professores parecem não abalar Rodas. No último vestibular da Fuvest, uma redação destacada como modelo continha uma mensagem escondida destacando letras que formavam a frase "Fora, Rodas, fora PM". Ele diz que não se preocupa se o fato se repetir no vestibular da Fuvest que começa neste domingo (25), com a prova da primeira fase. "Que façam quantas quiserem." Leia a entrevista:
G1 - Como estão os preparativos e a expectativa para a Fuvest deste domingo?
João Grandino Rodas - 
Pelas conversas com alguns diretores, sei que está indo tudo bem, como aliás sempre houve na Fuvest. Tenho certeza que as mais de dez mil vagas da universidade serão muito bem distribuídas e o que a gente espera obviamente é que esse ano se repita aquilo que é já o DNA da Fuvest, das coisas saírem sem problemas.
No último vestibular, a Fuvest escolheu como modelo uma redação que tinha uma mensagem subliminar sobre o senhor. O que o senhor achou disso?
Não tenho nenhum comentário a fazer, realmente nenhum.

O senhor não está esperando nada disso na prova de redação da segunda fase Fuvest 2013?
Nada, nada. Mas que façam quantas quiserem. Isso demonstra justamente o tipo de pessoa que é. Ela se retratou [no sentidio de que se revelou].

Redação com mensagem subliminar contra a gestão de João Grandino Rodas na USP (Foto: Reprodução)
O senhor acha que na sua gestão vamos ver algum debate mais eficaz sobre a implantação de cotas na USP?
Nós já estamos tendo.
O senhor é favor?
Pessoalmente, eu sou a favor da inclusão, acho que a inclusão é uma coisa importante. Agora, preferia não dizer qual seria a minha preferência. A preferência de uma pessoa não muda muito. A inclusão é possível. Agora, a inclusão não significa cotas, de per se (por si mesma), embora possa significar. Universidades de ponta, de pesquisa, como a USP, precisam encontrar uma saída para conciliar duas coisas que parecem inconciliáveis, mas que não são. Em primeiro lugar, atrair os melhores alunos, porque aí está uma das bases, porque senão ela deixa de ser o que é, não em prejuízo dela própria, mas em prejuízo do Brasil todo. E, ao mesmo tempo, quando se fala em inclusão, não se trará só os melhores alunos. Se trará melhores alunos de certas categorias. Agora, se a gente encontrar uma forma de fazer com que esses melhores alunos de certas categorias, sejam econômicas, ou o que seja, e que eles possam, mesmo dentro da universidade, cumprir aquele gap que eles têm, que isso possa compensar o menor preparo. Dessa forma, não atrapalharão de maneira nenhuma a subida de uma universidade de pesquisa, mas, pelo contrário, poderão ajudá-la a fazê-lo.
O senhor acha que a USP está um pouco atrasada em tentar achar essa solução?
Não, porque não depende só da gente. É fácil falar “USP” achando que ela é autônoma, isso é irreal. Para fazer isso que estou dizendo, qual seria, o seguimento muito de perto das pessoas que entram por alguma forma de inclusão, isso demanda recurso, isso demanda pessoal, e são duas coisas que são muito limitadas nas universidades públicas.
A USP depende de quem?
O recurso depende obviamente do Estado, e mesmo tendo recurso, a gente não pode contratar, porque tem que criar as vagas por lei. É muito fácil dizer ‘ah, a universidade não fez’. Como que nós vamos contratar gente, por exemplo? Como? O que acontece, que a gente vê em outros lugares, mesmo nas próprias universidades federais, em que é bonito o projeto, mas a prática não responde ao projeto, porque, a menos que haja um esforço absolutamente grande para que essas condições sejam dadas. Portanto, se a USP (como exemplo, poderia ser a Unesp ou a Unicamp), assume um projeto desses e não tem essas bases fundamentais, obviamente vai ficar pior do que está. O fato de a USP hoje estar muito bem é quase um milagre. Nossos professores são sempre aqueles, a gente não pode competir pelos melhores nem dentro do Brasil. É nisso que a gente precisa pensar. A USP é limitada, ela não pode buscar recurso porque ela tem recurso do governo. Se vai buscar na iniciativa privada dá problemas como aqueles que você já conhece, tem os grupos ideológicos que são contra. É um conjunto bastante complexo.
Como está a questão da reforma do sistema de iluminação na Cidade Universitária?
Já estão feitos e licitados, portanto, já cumpridos, toda a tarefa dos projetos, dos oito campi da USP no estado. Primeiramente foi feito há vários meses a licitação do projeto do campus da Cidade Universitária, mas hoje já foram feitos todos os projetos. E essa seria a terceira e quarta licitação, que são licitações para executar o projeto. Essa terceira licitação é somente o campus da Cidade Universitária. Foi, como ainda é, a primeira grande licitação brasileira desse novo sistema, de LED. Nós não temos nenhuma outra licitação antes feita. É claro que nós vamos ter muitas no futuro, então ela foi o teste. E neste teste, o que se passou? É normal que haja acertos sendo feitos inclusive pelo próprio órgão, que é o Tribunal de Contas, porque a partir dessa licitação se faz um parâmetro para todas as outras e nós temos praticamente todos os municípios brasileiros que irão fazer, porque o futuro é LED.
Foi nessa licitação que houve o questionamento sobre direcionamento?
Essa questão é bastante complexa porque, falar em direcionamento já dá uma impressão má, quando na realidade não é isso e não houve isso. O problema se baseia em primeiro lugar em quem pode se candidatar, com que experiência em LED. Aí é que vem. Por exemplo, há pouquíssimas no Brasil já feitas. Isso, depois desses meses todos, a própria universidade aceitou, e não poderia deixar de ser, todas as observações feitas pelo Tribunal de Contas. Portanto, o que se espera dessa próxima licitação, a terceira e a quarta, a terceira da Cidade Universitária e quarta que é de todos os outros sete campi. Talvez [a soma dos valores do serviço de] todos os campi dê um pouco menos que a Cidade Universitária. Então, na realidade estamos desbravando não só para nós, mas para o Brasil todo como é que se fará uma licitação nesse nível. Aceitamos todas as colocações que foram feitas e está mais ou menos prestes, algumas semanas, para se abrir essa terceira licitação.
Cidade Universitária receberá nova iluminação em 2012 (Foto: Arquivo/ G1)Cidade Universitária receberá nova iluminação em
2012 (Foto: Arquivo/ G1)
Não seria mais fácil e mais rápido para instalar uma iluminação comum e garantir a segurança do campus?
Isso não foi simples pelo jogo de interesses das empresas, então nós não podíamos prever. A questão dos benefícios de uma iluminação desse gênero é algo que é insofismável, sai muito mais barato a médio prazo que a outra e é muito mais efetiva. É um jogo de empresas, nós sabemos que isso existe, isso acontece em todas as licitações novas, como por exemplo que foi uma das linhas do Metrô de São Paulo, em que se licitou juntas, as vias que são cavadas na terra e o trem que ia entrar nelas. Se disse por muito tempo: por que não se fez só a via, depois só o trem, que seria mais rápido? O problema é que as coisas são casadas. Depois disso, resolveu o problema. Se todos pensassem que seria mais fácil fazer o atrasado, nós nunca iríamos evoluir. E a universidade tem a obrigação de evoluir. Por que hoje a iluminação nos campi da USP não é aceitável? Por que foi feita aos poucos, era puxar cinco lâmpadas, puxa outras cinco, são sistemas que não funcionam. É impossível em uma cidade universitária que tem o tamanho de 400 quarteirões de 100 metros por 100 metros nós fazermos alguma coisa pequena. É impossível.


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