Projeto da 'Aliança de Misericórdia' acolhe mulheres em situação de rua As voluntárias deixam casa, família e emprego para se dedicar inteiramente a elas

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Tirar moças da situação de rua, prostitutas e usuárias de drogas. Este é o objetivo de um dos trabalhos desenvolvidos pela Aliança da Misericórdia na cidade de Sorocaba. Fundado há 12 anos, pelo italiano radicado no Brasil, pe. Antonello Cadeddu, pe. João Henrique e Maria Paola, e vivendo somente da providência divina, o movimento visa ser um pequeno sinal do amor misericordioso do Pai para esta humanidade sedenta, sofrida e ferida. 

Por meio de diálogo, oração e, sobretudo, com olhar acolhedor, os missionários da Pastoral de Rua buscam criar laços de amizade e confiança com as pessoas em situação de vulnerabilidade social, desde crianças a idosos. Ao saírem desta situação, as pessoas são encaminhas às casas de triagem da Aliança da Misericórdia para, depois, seguirem para uma das casas de acolhida. Na região, este sítio fica no município de Porto Feliz. 

Segundo irmã Tamara Barbosa, missionária e voluntária da casa Betel, na Vila Angélica, as mulheres que chegam à residência acolhidas passam por uma triagem. "Elas chegam aqui mortas. Não sabem trabalhar nem falar direito." 

Na casa existem diversas regras, uma delas é não fumar. "Algumas não se adaptam e preferem ir embora; outras passam pela crise de abstinência de drogas e se apegam a Deus para passar desta fase. Durante a estadia na casa de triagem, elas não podem receber visitas. As que são mães têm seus filhos acolhidos também. 

A residência recebe mulheres em situação de rua, dependentes químicos e mães solteiras, iniciando caminhada de recuperação e reinserção na sociedade. 

Enquanto estão na casa de colhida, elas fazem todas as tarefas caseiras. "As meninas varrem, cozinham e costuram." O trabalho artesanal, como bolsas ecológicas, é vendido posteriormente em igrejas e eventos católicos, e a renda é revertida para manter o abrigo. 

As meninas também passam por médicos, psicólogos, psiquiatras para saber o real estado de saúde. "Algumas estão desnutridas, outras com doenças DST e até Aids. Elas passam por acompanhamento médico para se tratar e, se precisar tomar medicamentos, são providenciados." Porém nem só de pão vive o homem. As moças rezam o Santo Terço diariamente e vivem em oração todo o tempo. "Elas passam a acreditar e viver a sensação de que Deus as ama e neste estado de oração conseguem colocar os dons para fora."

Para dar continuidade a este trabalho de fé, elas vão à Missa todo domingo, recebem visitas do arcebispo metropolitano, dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues, e também se confessam em uma capela dentro da casa. "Nós trabalhamos a parte de espiritualidade bem profundamente."

Simone de Oliveira, 28 anos, é de Itu. Ela ficou na rua por 1 ano e 11 meses e encontrou a paz na casa de triagem. "Estou me sentindo ótima. Aqui encontrei a família que tanto procurava na rua. É um lugar para o encontro com Deus." 

A moça contou que nunca teve família e no abrigo encontrou amor e confraternização. Ela já sabe o que fazer quando sair do grupo. "Eu vou procurar uma vida diferente; quero voltar a estudar." Simone disse ainda que sonha cursar nível superior de Medicina ou Enfermagem e acredita que poderá começar a vida novamente. "Eu tenho certeza de que já estou sendo restaurada."

Para Adriana dos Santos, 23 anos, os sonhos estão cada dia mais perto de virarem realidade. "Eu quero ter uma casa, casar...". A moça, por não ter para onde ir, continua na casa de triagem junto da filha de 1 ano e 10 meses. 

Após estarem preparadas para uma caminhada de oração, que dura cerca de um mês, as meninas são levadas ao sítio da Aliança, onde passarão um ano, até o final dessa experiência. 

VOLUNTARIADO - Para atender a essas mulheres em vulnerabilidade social, as voluntárias têm papel fundamental no projeto. Estas deixam casa, família e emprego para se dedicar inteiramente ao outro. "Em 2007, eu tive uma experiência com Deus durante a Semana da Juventude. Eu senti o desejo de buscar a santidade", disse a irmã Tamara. No ano de 2008, ela conheceu a comunidade e entrou na Aliança no ano posterior. 

A voluntária visita os pais uma vez ao ano e tem contato via telefone mensalmente. Apesar da saudade, a moça contou que não tem vontade de voltar atrás. "Minha vida de antes não me supre mais, não compensa." Em todo este tempo de caminhada, a irmã já trabalhou com prostitutas e travestis entre outros grupos de pessoas. "Já fiz trabalho em favelas e também tenho experiências fora do Brasil."

Em um ano o projeto em Sorocaba já atendeu a mais de 30 mulheres. Diversas são as atividades desenvolvidas pela Aliança. No Centro de Evangelização Pe. Pio - Alameda Augusto Severo, 1.355, na Vila Carol, em todas as quartas-feiras, às 19h30, ocorre a Escola da Cura. Aos sábados, no mesmo horário, é realizado o Louvor Thalita Kum. 

Já o Bazar da Misericórdia, onde são vendidas peças de roupas e calçados, é feito na Praça Frei Baraúna, 117, no prédio anexo ao Mosteiro de São Bento, lugar este carinhosamente cedido pelo monge sacerdote responsável pelo Mosteiro, Dom José Carlos Camorim Gatti. Há ainda programas de rádio entre os projetos. A Hora das Misericórdia pode ser escutada às quintas-feiras, às 8h30 na frequência 104,5 Cantate FM; na mesma rádio, aos sábados, às 15h30 é veiculado o programa "Cantando para Deus".  


Aliança de Misericórdia: um pincel nas mãos do Senhor

Com a missão de resgatar a dignidade humana, moral e cultural daqueles que vivem em situação de exclusão social, por meio de programas, projetos e ações que possam inserir na sociedade seres humanos plenamente restaurados em sua civilidade, a Aliança de Misericórdia é definida pelos seus fundadores, padre Antonello e padre Henrique, como um pincel nas mãos do Senhor, que possa levar um pouco deste amor misericordioso do Pai aos pobres e abandonados.     

Em 15 de agosto de 2005 (Festa da Assunção de Nossa Senhora), dom Cláudio Hummes, então cardeal arcebispo de São Paulo, aprovou o estatuto do Movimento como Associação Privada de Fiéis Aliança de Misericórdia e concedeu-lhe a igreja Nossa Senhora da Boa Morte, no Centro de São Paulo, onde o Santíssimo é exposto 24 horas.  

O movimento está presente em 43 cidades do Brasil e em quatro países, Bélgica, Itália, Polônia e Portugal, com outras missões na China, etc. No âmbito religioso a Aliança de Misericórdia acolhe homens e mulheres, celibatários e casados, leigos e clérigos, que, de várias formas e níveis, chamados por Deus, evangelizam as ovelhas perdidas (Cf. Lc 15, 4-7), confiantes na potência do Espírito Santo, realizando todas as obras de Misericórdia que as próprias forças permitirem.

Junto aos trabalhos de evangelização, o Movimento promove também diversas obras sociais junto aos pobres das periferias e ruas. É reconhecida juridicamente como entidade de utilidade pública em âmbito municipal, estadual e federal. Segundo um balanço feito em 2010, só na cidade de São Paulo, o trabalho desenvolvido pela Pastoral de Rua alcançou aproximadamente 7.200 pessoas, o que representa mais de 50% do total de moradores de rua da cidade, que, de acordo com pesquisa aplicada em 2009, são 13.666 pessoas. 

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