No Dia da Imprensa, Comunique-se conhece cidade sem banca de jornal e mídia local

08:36 Radio Ideal FM 0 Comentarios



"Nosso jornal vem de segunda a sexta, exceto feriados bancários. Pagamos duas vezes: primeiro pela assinatura - o jornal vem de Belo Horizonte e é entregue em Piumhi (MG). Então pagamos de novo para uma pessoa trazer para cá". O relato é de Bruno Barcelos, morador de São Roque de Minas, que fica a aproximadamente 300 km da capital estadual.
A região, que em abril passado foi palco de um sequestro que durou oito dias, não tem banca de jornal e a única rádio local, chamada de Chapadão FM, é essencialmente musical. A reportagem do Comunique-se conheceu o lugar e, no Dia da Imprensa, conta como é o acesso e as dificuldades para obter informações.
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Durante entrevista, locutora conta como é o trabalho da Chapadão FM (Imagem: Isa Luchtenberg)
De acordo com Barcelos, o cenário deixa os moradores limitados aos noticiários de TV e as notícias locais, que são compartilhadas por eles em um sistema de "boca a boca". O jornal recebido pelo empresário viaja, em média, 390 km até chegar em seu destino final, já no período da tarde. Sobre a Chapadão FM, ele afirma que ela "serve para entreter" os moradores.
Ao visitar a rádio, a reportagem descobriu que não há jornalistas trabalhando no local. A locutora Paola Menezes afirma que há espaço para algumas notícias, mas elas são sempre retiradas de portais na internet. "Não falamos com as pessoas da cidade, não vamos atrás da notícia pesquisando ou fazendo entrevistas. Já pegamos pronto", explica.
Para Barcelos, seria interessante ter algo como a rádio CBN na região, com "informações rápidas". Ele afirma que, no mês do sequestro, a Chapadão FM colaborou ao manter contato com o sequestrador Lindair Marques. A imprensa que foi cobrir teve diversos problemas, segundo o empresário. "Tudo aconteceu no feriado e as pousadas estavam lotadas. Deixei de atender a equipe do jornal O Tempo e O Estado de Minas".
Na cidade, o reflexo da “falta de imprensa” é visível. A cidade de São Roque de Minas é a maior produtora de queijo canastra nesta região. Entretanto, poucos moradores sabem que, desde 2008, o modo artesanal é considerado patrimônio imaterial brasileiro

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