Alunos melhoram rendimento com 'música na escola' em Boituva, SP As aulas do grupo de percussão são realizadas em uma praça. Programa reflete no comportamento dos jovens, segundo educadores.

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musica escola (Foto: Terra Mater / Divulgação)As aulas de música acontecem em praça no Centro
de Boituva (SP). (Foto: Terra Mater / Divulgação)
Uma escola particular de ensino fundamental e médio de Boituva (SP) oferece aulas de musicalização para os alunos. O diferencial é que as aulas acontecem em uma praça pública na cidade. A ideia foi da professora de música, Shirlei Godoi, 30 anos. Ela explica que o objetivo do curso não é formar músicos, mas explorar os vários conhecimentos que o aluno pode adquirir em contato com a música, como a percepção motora, disciplina e a autoestima.
Para melhorar o desenvolvimento dos estudantes, as aulas de percussão acontecem na Praça da Bíblia, no Centro. Com isso, os alunos também aprendem a dominar o medo de se apresentar em público. "Com as aulas ao ar livre, eles têm mais contato com a natureza, além de ter muitas pessoas passando por lá, que acabam parando. Alguns até têm vergonha, mas acabam participando. É uma forma de desenvolver a autoconfiança deles".
A diretora pedagógica da escola, Leda Maria Menezes de Souza, 56 anos, conta que o projeto teve grande aceitação pelos alunos. Ela explica que, como começou este ano o programa, ainda não consegue avaliar se houve melhora dos alunos em relação às notas, mas diz que é possível perceber a mudança na disciplina e no comportamento. "Os intrumentos são da escola, mas nós entregamos aos alunos e pedimos para que cada um cuide do seu. Eles se tornaram mais comprometidos e responsáveis".
Leda ressalta ainda que, com esse tipo de aula, acaba trazendo o estudante para dentro da escola. "Quando tem atividades desse tipo, eles vêm sem obrigação. É por satisfação em participar. É algo maravilhoso vê-los envolvidos", conta. De acordo com pesquisas, a música contribui para desenvolvimento mental, além de promover o equilíbrio e facilitar a concentração.
sala musica (Foto: Terra Mater / Divulgação)De acordo com a professora, o objetivo é desenvol-
ver as habilidades dos alunos por meio da música.
(Foto: Terra Mater / Divulgação)
O começo
A professora responsável pelo projeto, Shirlei Godoi, conta que apresentou o projeto para o diretor da escola no ano passado e que ele gostou, mas ficou desconfiado se iria funcionar. "Ele até me disse que não poderia comprar os instrumentos para as aulas, pois não poderia gastar com algo que não sabia se iria dar certo". Shirlei recorreu a outra escola, em Tatuí (SP), cidade onde mora, que tinha os instrumentos musicais e os conseguiu eles emprestados. "No começo, seguia todos os dias em que havia aulas com o meu carro cheio de instrumentos de percussão, de Tatuí até Boituva, sobrando apenas o espaço do banco do motorista", lembra. Com a grande aceitação dos alunos, o diretor da escola de Boituva acabou comprando os instrumentos.
Atualmente são 30 alunos, do nono ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio, mas já existe fila de espera.
Shirlei comenta que, na parte da manhã, dá aulas de flauta doce, canto e coral para cerca de 60 alunos do ensino fundamental, crianças entre 7 e 9 anos, mas estas aulas acontecem dentro da escola. "A ideia é desenvolver as habilidades dos alunos, sem a intenção de formar músicos, mas podemos ver que eles aprendem muito fácil. As crianças já tocam músicas clássicas como a 'Nona Sinfonia' de Beethoven, e Valsas de Strauss", completa.
Mudanças
A educadora Shirlei comenta que encontra com os pais dos alunos na escola e eles sempre dizem sobre as mudanças que perceberam. "Os pais contam que os filhos estão mais desinibidos, mais empolgados e, até, com rendimentos melhores. Quando ouço isso, fico muito feliz. Essa é a maior alegria da minha vida. Quando a gente vê o resultado, não tem dinheiro que pague isso", desabafa.
Leda também diz que têm pais que a procuram com sugestões. Uma delas é a criação de um grupo musical. Para ela, é importante a participação dos pais, o que acaba incentivando mais os alunos. A diretora ressalta que está estudando para montar algum projeto com os pais.
A estudante do primeiro ano do ensino médio, Natália Zamboni Marques, de 15 anos, está adorando as aulas de percussão. Ela conta que, sempre que tocam na praça, muitas pessoas param para ver e ela acha isso muito gratificante. A aluna que já fez curso de piano, adorou aprender um pouco sobre percussão. "Os dois têm tudo a ver. A gente acaba aprendendo o tempo, o ritmo da música", argumenta.
Para ela, o aprendizado com a música melhora na escola. "Para aprender música, temos que estar bem atentos. Isso vai se tornando costume e acabamos prestando mais atenção nas aulas também". Natália diz que percebeu melhora nas notas. "Eu sempre tirava nota sete em filosofia. Agora estou tirando oito, nove. Como filosofia são vários conceitos diferentes, tem que prestar mais atenção", explica.
Para o pai de Natália, Almeida Fernando Pereira Marques, 56 anos, aposentado, o projeto é benéfico. Ele diz que ações assim incentivam mais os alunos a participarem mais da escola, além de socializar. "Com a música, o estudo se torna mais gostoso. Com frequência, percebo a minha filha batucando pela casa, sem ela perceber", conta o pai. Ele também percebeu que a filha está mais comunicativa.
A Lei
Uma lei federal aprovada em agosto de 2008 (Lei nº 11.769) exige que a música faça parte do componente curricular das escolas e passou a vigorar em 2012. Para a educadora, muitas escolas ainda não oferecem as aulas de música. "As escolas não estão se adequando. Muitas escolas estão capacitando os pedagogos para dar esse tipo de ensino ao invés de contratar um profissional de música formado. Não adianta fazer um cursinho no fim de semana e dizer que estão aptos", e compara dizendo que levou anos para se preparar e conseguir se formar.
Shirlei Godoi é professora de música pelo Conservatório de Música de Tatuí. Formada, em 2008, nos cursos de piano clássico e musicalização infantil, ela diz que toca piano desde os oito anos de idade.

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