Pedreiros de Capão Bonito, SP, lançam 1º cd de música sertaneja Por enquanto, emprego de pedreiro é mais rentável para a dupla. A falta de incentivo para a música na cidade dificulta o trabalho.

07:21 Radio Ideal FM 0 Comentarios



Sucesso, dinheiro e fama. Esses são alguns itens que fazem parte da vida de um artista. Falando do mundo sertanejo, podemos citar Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano e Leonardo. Mas quando pesquisamos sobre a vida deles, encontramos algo em comum. A falta de todo esse "glamour" no início da carreira.
Fase pela qual passa a dupla "Eddy Chaves e Armando", formada por Edson Pereira Chaves, de 40 anos, e Armando Jesus de Oliveira, 42 anos, moradores de Capão Bonito, interior de SP. Há 13 anos cantando juntos, os artistas vivem uma dupla jornada: a de cantores aos fins de semana e pedreiros durante a semana.
Eddy Chaves e Armando estão gravando o 1º CD,
com músicas compostas por eles. (Foto: Divulgação)

Edson Pereira Chaves, de 40 anos, conta como é difícil alcançar o sucesso. A dupla toca em bares e festas da região, mas é impossível viver só da música. "Muito dos shows que fazemos são beneficentes. O pessoal não quer pagar. Em média, ganhamos cerca de R$ 800 cada, por mês. Trabalhando como pedreiro, consigo ganhar três vezes mais. Mas como gostamos disso, acabamos aceitando", explica Edson.
A dupla não tem estrutura e vive de ajuda dos amigos. "É nos mesmos que carregamos e instalamos os equipamentos. Alugamos o equipamento de um amigo, que também faz o transporte, e que cobra um preço mais barato. É nós que vendemos os shows e temos que correr atrás. É muito difícil. Se tivessemos que pagar pelos serviços, não sobraria nada para nós", desabafa. Eddy explica que se tivessem um empresário, a dupla poderia estar melhor. "Como nós mesmos fazemos isso e temos que trabalhar como pedreiros, não sobra tempo de fazer os contatos. Se tivessemos alguém para administrar nossa carreira, os shows, poderíamos ganhar mais espaço", afirma.
Começo difícil
Hoje, os dois trabalham como pedreiros para sustentar as famílias. Edson mora com a companheira, segundo relacionamento, e têm três filhos. Armando, também casado, tem que sustentar a esposa e os quatro filhos.
Eddy conta que hoje a vida melhorou. "Antes de sermos pedreiros, trabalhamos na roça. Eu plantava abóbora, em Apiaí. Armando colhia feijão e batatinha aqui em Capão Bonito. Quando me mudei para a cidade, conheci Armando na roça, onde trabalhamos por um bom tempo", conta.
Nesse primeiro, Edson falou ao parceiro que cantava e escrevia as músicas. Coincidentemente, Armando também lhe contou que compunha. "O nosso sonho era ver algum cantor famoso cantando as nossas músicas", relata Edson.
Depois de tanto conversarem sobre música, resolveram montar a dupla. "Quando começamos, há 13 anos, a dupla era 'Henrique e Alexandre'. Sem muito sucesso, mudamos novamente o nome para 'Nill e Natan'. Nessa época, tinhamos até fã clube", conta Edson.
Com um pouco de dificuldade, eles pararam de cantar, em 2001. Mas a vontade era tanta que em 2003 voltaram aos palcos. "Quando voltamos, descobrimos que já tinha uma dupla chamada 'Nill e Natan'. Mudamos então para 'Eddy Chaves e Armando'", conta Edson.
Dificuldades
Eddy lembra a dificuldade que é conseguir fazer apresentações na cidade. "O pessoal quer que cantemos de graça. Assim fica difícil. A população não dá muito valor". Para a dupla, é mais fácil fazer shows em outras cidades da região do que em Capão Bonito. "Quando tocamos fora, somos recebidos como artistas. Aqui não, todos nos conhecem e não veem dessa forma. Dá para contar o público no dedo quando tocamos na cidade", desbafa o sertanejo.
Mas alguns shows fora da cidade acabam atrabalhando. "Quando fazemos shows na região, principalmente nos domingos, chegamos de madrugada e temos que acordar cedo para trabalhar (como pedreiros) na segunda-feira". Ele conta que sempre fazem apresentações em Sorocaba, Buri, Guapiara e Ribeirão Grande, e o público já reconhece e aceita a dupla.
Nem as rádios locais ajudam, segundo ele. "Os radialistas pegam nossas músicas, dizem que vão tocar, mas não tocam. Já chegamos a pedir para amigos ficarem ligando na rádio para pedir nossa música". Mesmo com a dificuldade, eles não querem desistir e o maior sonho é o de conseguir viver só da música.
1º CD
Com poucos shows marcados, Edson explica que estão dando um tempo e se preparando para gravar o primeiro CD, só com músicas próprias. O processo já está em andamento, mas para isso, vão ter que trabalhar bastante para conseguir os R$ 2mil, só com a produção em estúdio. "Com o nosso CD, poderemos divulgar mais a dupla. Tem uma música nossa que foi regravada por um cantor da região, chamada de 'O quanto dói uma saudade'. Ficamos sabendo que essa música foi tocada até na Bahia".
Os compositores têm cerca de 60 músicas próprias, o que daria para gravar seis CDs com músicas inéditas. A previsão é que o lançamento aconteça até junho deste ano. As influências da dupla são Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó e Milionário e José Rico.
O Leonardo de Capão
Com um estilo mais romântico, Eddy diz que as pessoas preferem esse estilo. "Se você ouvir o nosso CD, vai perceber que ele é bem romântico. As pessoas preferem para ouvir em casa. Ninguém ouve música mais agitada em casa. É mais na balada que curtem, por isso, nossos shows são mais animados". Edson confessa que a dupla é conhecida como "os cantores românticos de Capão Bonito". "Algumas pessoas dizem que a minha voz lembra bem a do cantor Leonardo. Outras dizem que pareço com o Leonardo, que sou um pouco mulherengo, mas não sou", brinca o cantor.
Mas a sua atual companheira, ele conheceu em um dos shows, há, mais ou menos, oito anos, com quem vive até hoje. "Nossas famílias nos dão a maior força. Estão sempre juntas. Se não fossem elas, não sei se conseguiriamos vencer", finaliza o cantor.
Fonte : http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2012/03/pedreiros-de-capao-bonito-sp-lancam-1-cd-de-musica-sertaneja.html

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