Barraginhas e lagos garantem água em propriedades rurais

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A integração de barraginhas e lagos de múltiplo uso permite aumentar a disponibilidade de água nas propriedades rurais. O uso complementar das duas tecnologias sociais propicia aos agricultores amenizar problemas causados por estiagens e ter reservatórios para irrigação, abastecimento ou criação de peixes. Este é o tema do Prosa Rural desta semana que tem a participação do engenheiro agrônomo da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas/MG), Luciano Cordoval.
O sistema de barraginhas consiste em construção de miniaçudes em áreas de pastagens, lavouras e beiras de estradas. Essas covas de captação de água de chuva ficam distribuídas na propriedade de modo que retenham as enxurradas, evitando erosões e amenizando enchentes. O sistema ajuda a aproveitar, de forma eficiente, a água das chuvas irregulares e intensas. Ao barrar as enxurradas, as barraginhas darão tempo para que a água se infiltre no solo, recarregando o lençol freático. Por sua vez, a recarga do lençol freático abastece os mananciais, permitindo a revitalização de córregos; eleva o nível de cisternas e umedece o solo, podendo propocionar o aparecimento de minadouros.
O aproveitamento da maior quantidade de água disponível na propriedade pode se dar com o abastecimento de pequenos lagos. O produtor pode construir, a baixo custo, lagos que são impermeabilizados com lona plástica e podem ser usados conforme as necessidades locais. Podem servir como reservatórios para abastecimento, irrigação ou ainda como criatórios de peixes.
A integração das barraginhas e lagos de múltiplo uso já tem tornado realidade o sonho de pequenos produtores na comunidade Fazendinha Pai José, município de Araçaí (região Central de Minas Gerais). Na localidade existem 111 chácaras de dois hectares cada. Os proprietários, em sua maioria aposentados de pequeno poder aquisitivo, alimentavam um antigo desejo: ter um pequeno lago e criar peixes.
"A limitação era a água, de difícil acesso", explica o engenheiro agrônomo da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), Luciano Cordoval. Com a construção de 96 barraginhas para captação de enxurradas na comunidade, o nível de água das cisternas que era, em média, de quatro metros aumentou para mais de dez metros, como conta um dos moradores, Dimas Marques Sobrinho. "Dá para tirar uns seis mil litros por dia. Em todo canto onde fez barraginha, tem água demais agora".
A partir daí, os produtores construíram pequenos lagos lonados, que são abastecidos com água bombeada das cisternas e iniciaram a criação de peixes. A iniciativa tem trazido muita satisfação aos produtores, como Giovani Vicente. "O sonho que eu tinha quando comprei esse terreno era adquirir um poço", diz, satisfeito. A realização é uma terapia, conforme explica outro morador, Geraldo de Souza: "isso aqui é o 'tira-estresse'. Você está cansado, nervoso, preocupado, vem pra cá e fica jogando ração para os peixes. Volta pra casa e acabou o estresse". A água ainda é suficiente para irrigar horta e dar de beber aos animais.
Luciano Cordoval diz que a experiência da integração entre barraginhas e lagos abastecidos por cisternas pode ser replicada em toda região de latossolo vermelho e amarelo, que é poroso e predomina no Brasil Central. O modelo pode ser adotado com um pequeno investimento. "Na Fazendinha Pai José, foram feitos minilagos de 14 metros de diâmetro, por 1,2 metro de profundidade, gastando quatro horas de máquina tipo pá carregadeira e mais 30 metros de lona de 8 metros de largura. O custo fica em torno de 500 reais por lago", conta o engenheiro agrônomo.
Saiba mais sobre este assunto ouvindo o Prosa Rural desta semana, o programa de rádio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O programa conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Embrapa Milho e Sorgo

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