Democratização é palavra-chave no Diálogo Temático da Comunicação em Saúde

13:30 Radio Ideal FM 0 Comentarios




A coordenadora Lurdinha Rodrigues lembrou que o diálogo temático sobre Comunicação e informação em saúde deve qualificar o debate para os grupos de trabalho da 14ª, na perspectiva da garantia do acesso e acolhimento com qualidade.
Márcia Correa e Castro, gerente geral do Canal Saúde da FIOCRUZ informou que desde 2010 o canal se constituiu como uma emissora de televisão, que pode ser captada em todo o país por meio de antena parabólica, e pode ser acessado também por todos os conselhos de saúde por meio do Programa de Inclusão Digital. Comparou o modelo clássico difusionista da comunicação, pelo qual toda interferência na veiculação de uma mensagem seria considerada um “ruído”, com o modelo polifônico da comunicação, proposto na Fiocruz pela pesquisadora Inesita Soares, que se define pela multiplicidade de atores sociais que são simultaneamente emissores e receptores da comunicação, com diferentes potências para veicular suas mensagens. Nesse novo modelo não existe ruído nem escassez de informação; segundo Márcia, o que se faz, hoje, é disputar significados e contextos de comunicação. Ao mesmo tempo que há um potencial enorme de democratizar a comunicação, existe o risco da extrema concentração dos meios de comunicação. No caso do Brasil, onde seis redes concentram mais de 600 veículos de comunicação, deve-se questionar como se faz comunicação para o sistema único de saúde? Segundo Márcia, uma comunicação para o SUS tem que seguir os mesmo princípios do SUS: universal, acessível, apta a compartilhar as diferentes mensagens de públicos diversos, descentralizada e participativa. O caminho externo é a luta por uma comunicação democrática. Internamente, a comunicação não pode ser uma assessoria de imprensa da secretaria de saúde, mas deve ser uma ferramenta estruturante dos processos de saúde.
Jerry de Oliveira, coordenador-executivo da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, lembrou que na saúde há controle social, mas na comunicação o controle social é um debate muito difícil de se fazer, por causa dos interesses econômicos e valores éticos envolvidos. Jerry informou que hoje são cinco mil rádios comunitárias autorizadas em todo o país, com um “exército” de 500 mil comunicadores populares. “É importante ocupar esse espaço, porque infelizmente não há meios de comunicação democráticos no nosso país”. Jerry propõe que os conselhos de saúde se aproximem das rádios comunitárias, para qualificar o debate em defesa do SUS.
Felipe Cavalcante, médico sanitarista no Instituto Nacional do Câncer, parabenizou a organização da Conferencia por trazer a comunicação para o centro do debate sobre saúde. Felipe apresentou a experiência do Blog Saúde com Dilma, que surgiu a partir de um grupo de profissionais de saúde que se incomodava com a especulação sobre quem seria o próximo ministro da saúde. O blog continuou e hoje tem 2500 acessos por dia, o que demonstra a demanda por um espaço democrático de discussão sobre saúde. Felipe destacou a ampliação das possibilidades de produção e veiculação de conteúdo com os usos da nova Internet, conhecida como Web 2.0, e o grande desafio é acabar com o domínio dos pontos-de-vista: “a gente tem que ir além do combate à desinformação veiculada pela grande mídia; tanto a militância quanto o governo precisam aumentar sua capacidade de diálogo em rede”.
A conselheira municipal e usuária Valéria de Almeida Rocha apresentou a experiência de comunicação no Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Destacou que a informação deve vir em primeiro lugar, para qualificar a participação social, e propôs que todos os veículos de comunicação devem ser usados para alcançar os usuários do sistema único de saúde.

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