Entre o cosmopolitismo e o absolutismo Arábia Saudita não deverá ser atingida por Primavera Árabe, mas não está imune a pequenas transformações

09:38 Radio Ideal FM 0 Comentarios


O modo de vida dos sauditas está sob ameaça. Em todas as fronteiras do reino, súditos ingratos se voltaram contra seus comandantes. Um poderoso aliado por 60 anos, os Estados Unidos, se esqueceram da velha amizade e aplaudiram as revoltas, enquanto os malignos xiitas do Irã planejam intrigas por toda parte. Os problemas crescem também dentro do país. O rei Abdullah está com 89 anos, e enfraquecido pela idade. Seu sucessor, o príncipe Sultan, tem 87 anos e também está debilitado. O próximo da fila, o príncipe Nayef, o temido ministro do interior, tem 78 e sofre de um grave caso de diabetes. Enquanto isso os jovens estão agitados e impertinentes. Alguns assinam petições pedindo direitos e uma constituição. Outros trocam mensagens subversivas por computador e telefone. Nem mesmo as mulheres mantém o respeito, dirigindo automóveis pelas ruas do país, de maneira ilegal.
Essa é a visão dos conservadores sauditas. A monarquia mais absolutista do planeta parece absurda não apenas para os infiéis ocidentais, mas também para os próprios árabes e mesmo para a população do país. Mas será que o reino corre realmente o risco de ser derrubado?
Não, diz a maioria dos especialistas, ou pelo menos não tão cedo. Trata-se de um país grande, e a maioria dos sauditas tem melhores condições de vida que os egípcios, sírios ou iemenitas. O dinheiro que jorra do Estado ainda compra a complacência dos indivíduos e a cumplicidade dos negócios e da religião. A mais popular tendência religiosa do país, os Sahwa (Despertos), mistura o conservadorismo religioso tradicional com reformas políticas, inspiradas na Irmandade Muçulmana. O grupo tem alcance suficiente para causar problemas, mas seus líderes permanecem sendo paparicados pela família real – e portanto são leia a ela. Sem sua bênção, nenhum movimento de protesto é capaz de ir muito longe.
O dinheiro não dá sinais de que acabará. Confiante na sua habilidade de comandar os mercados, a Arábia Saudita aumentou a produção de petróleo para 500 mil barris diários, ignorando as recomendações da OPEP de diminuir a oferta e manter os preços altos. Investimentos em novos campos e infraestrutura sugerem que os sauditas podem manter uma produção de 10 milhões de barris diários – avaliados em cerca de US$ 1 bilhão – por um bom tempo.
Ainda assim, pequenas mudanças se aproximam. Um tom subversivo e cada vez mais irreverente toma conta das conversas por mensagens de texto nos celulares dos sauditas, no Twitter e no Facebook, o que revela um abismo entre os príncipes idosos e uma população cada vez mais cosmopolita.
No dia 17 de junho, apenas umas poucas mulheres realmente sentaram-se atrás dos volantes de automóveis para protestar contra a proibição de motoristas femininas no país. Mas a polícia se absteve de intervir, estimulando mais mulheres a se juntarem ao movimento. Apesar de tudo, o modo de vida dos sauditas pode estar cada vez mais próximo de uma mudança.

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